Em Curitiba, o Ministério Público do Paraná, por meio da 3ª Promotoria de Justiça de Crimes Dolosos Contra a Vida, ofereceu nesta quinta-feira, 9 de abril, denúncia criminal contra um homem de 22 anos pela morte de uma idosa de 66 anos. Conforme a denúncia, em setembro de 2025, após alugar salas em um condomínio num bairro da capital usando documento falso, passou a oferecer tratamentos estéticos. Ele fez na vítima um procedimento nos seios que só poderia ser realizado por médico profissional. Dias depois, após a mulher relatar dores intensas, o denunciado se limitou a dar-lhe antibióticos, quando era caso de internação hospitalar imediata. A vítima acabou falecendo de sepse (infecção generalizada) no dia 2 de outubro.
Homicídio – Para o MPPR, o denunciado “agiu com dolo eventual ao causar a morte da vítima […], pessoa idosa, já que, mesmo não possuindo qualquer formação médica […] submeteu-a a procedimento estético privativo de profissional médico, sem o aparato necessário, sem a assepsia adequada, sem as medidas de prevenção e controle de infecção, em local completamente inadequado, e, depois, mesmo sem possuir qualquer formação na área da saúde, ministrou-lhe inadequadamente antibióticos, obstando o tratamento hospitalar precoce adequado, consentindo assim com o risco provável (mais do que possível) do resultado morte, o qual lhe era, mais do que previsível, previsto pelas referidas circunstâncias”.
Crimes – A denúncia atribui ao acusado a prática dos crimes de homicídio doloso e falsidade ideológica. No caso do homicídio, incidem as qualificadoras de motivo torpe — por ter sido praticado por ganância —, uso de dissimulação — uma vez que o homem teria se apresentado falsamente como profissional da área da saúde — e à traição — em razão da quebra de confiança estabelecida com a vítima, de quem havia se aproximado e conquistado a amizade. Consta, ainda, a causa de aumento de pena de um terço, pelo fato de a vítima ser pessoa idosa.
Quanto ao crime de falsidade ideológica, a denúncia aponta que, no momento em que a vítima deu entrada no hospital, o acusado teria se apresentado como acompanhante, inserindo informações falsas em documentos, ao se declarar primo da vítima e se autointitular biomédico.
O denunciado está preso preventivamente na Cadeia Pública de Curitiba. Ele foi detido depois de voltar a realizar procedimentos, mesmo após a morte da mulher.
Autos 0014953-35.2025.8.16.0013
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