Recentemente, a OMS (Organização Mundial da Saúde) acionou o seu nível máximo de alerta ao decretar que o atual surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda representa uma ESPII (Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional).  

O anúncio, feito neste domingo (17) pelo diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, marca a nona vez na história que a organização utiliza esse mecanismo de urgência – e a terceira relacionada ao vírus Ebola.  

O que motivou o alerta?

O status foi adotado devido ao risco de disseminação internacional do patógeno e à gravidade do cenário local, embora a situação ainda não atenda aos critérios técnicos de uma “emergência pandêmica”. 

Diferente de surtos anteriores, a crise atual é causada pela cepa Bundibugyo, uma variante do vírus para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos específicos desenvolvidos.  

Até o momento, a província de Ituri, na RDC, já soma 246 casos e 80 mortes suspeitas. Em Uganda, a capital, Kampala, confirmou laboratorialmente dois casos, incluindo um óbito, em pessoas que haviam viajado ao país vizinho. 

Histórico de alertas máximos da OMS 

Desde a criação dos Regulamentos Sanitários Internacionais, em 1969, a OMS recorreu a esse dispositivo em outras oito ocasiões para conter crises sanitárias globais.

Relembre os precedentes: 

  • Poliovírus (2014 – Presente): é a emergência mais longa da história da organização. Decretada em maio de 2014 devido ao risco de回na transmissão internacional do vírus da paralisia infantil, a medida continua em vigor como parte do esforço global para erradicar a doença do planeta. 
  • Mpox (2022–2023 | 2024–2025): o vírus motivou dois alertas recentes. O primeiro ocorreu em 2022, quando a doença se espalhou globalmente por via sexual (atingindo 85 mil casos). O segundo foi declarado em 2024, impulsionado por uma nova linhagem na RDC que infectou 14 mil pessoas. O status mais recente foi encerrado em maio de 2025 após uma queda de 90% nas notificações. 
  • Covid-19 (2020 – 2023): uma das piores crises sanitárias da humanidade começou a ser tratada como emergência global em 30 de janeiro de 2020. Oficialmente, a pandemia acumulou 7 milhões de mortes, mas relatórios da OMS apontam que o número real de mortes excessivas (diretas e indiretas) chegou a 22 milhões. O alerta foi suspenso em maio de 2023 graças ao avanço da vacinação em massa. 
  • Ebola na RDC e África Ocidental (2014–2016 | 2019–2020): antes do surto atual, o Ebola paralisou o mundo em duas ocasiões. A maior delas, entre 2014 e 2016 na África Ocidental, registrou 28,7 mil casos e mais de 11 mil mortes. O segundo alerta ocorreu entre julho de 2019 e junho de 2020, também focado na RDC. 
  • Zika Vírus (2016): em fevereiro de 2016, a explosão de casos de malformações fetais (microcefalia) e distúrbios neurológicos associados ao vírus Zika levou a OMS a decretar o regime de emergência, que durou até novembro daquele mesmo ano. 
  • Gripe Suína H1N1 (2009–2010): A primeira emergência desta era foi instaurada em abril de 2009 devido a uma nova versão do vírus Influenza que saltou entre animais e humanos. O surto global causou cerca de 284 mil mortes antes de ter o estado de alerta suspenso em agosto de 2010, convertendo-se na gripe sazonal que circula hoje. 

Em meio aos relatos de novos casos e mortes, o novo decreto para o Ebola acende o sinal de alerta para a comunidade científica internacional, mobilizando fundos e cooperação técnica para conter a cepa Bundibugyo antes que ganhe escala intercontinental. 

*Publicado por André Nicolau, da CNN Brasil

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