Uma das dores de cabeça recentes de Davide Ancelotti no comando do Botafogo é a utilização de Danilo e Marlon Freitas como dupla de volantes. Os dois têm batido cabeça nas primeiras partidas sob o comando do italiano e têm, no confronto contra o Bragantino, hoje, pelo Brasileirão, a oportunidade de aumentar ainda mais o entrosamento e mostrar que podem, sim, jogar juntos.

Na visão do treinador, os poucos treinos entre um jogo e outro dificultam o trabalho para definir as funções de cada um nos momentos da partida. No entanto, a expectativa é que eles formem a dupla titular até o fim do ano.

— Eles precisam de tempo, de treino. Estamos procurando fazer as coisas no jogo. Trocando posições, encaixando pela direita, entre dois centrais, deixando um ou outro mais avançado, às vezes deixando os dois, deixando um lateral como o terceiro (da defesa). Esse é o problema de ter três jogos por semana — argumentou Davide Ancelotti após o empate com o Vasco, na Copa do Brasil, na quarta-feira.

O principal problema da dupla é a falta de entrosamento. Eles estiveram em campo simultaneamente em cinco jogos, desde que Danilo foi contratado junto ao Nottingham Forest-ING. Destes, porém, começaram juntos apenas em três (2x contra a LDU e uma contra o Vasco). Em minutos jogados, dos 450 disponíveis, a dupla esteve junta em 278, ou seja, 61% do tempo.

Apesar da amostragem pequena, para Rodrigo Coutinho, analista de desempenho e comentarista do Grupo Globo, Marlon e Danilo não são excludentes e podem, sim, atuar juntos no meio do Botafogo.

— Podem ser complementares. Os dois têm qualidade, a principal premissa é essa. Têm bom poder de marcação, o Danilo até um pouco mais que o Marlon, mas nenhum dos dois é um jogador que não marca, que não se esforça defensivamente. Um é destro, o outro é canhoto, então você consegue até dividir o campo pela metade para articulação — analisa Coutinho.

Com os dois, o Botafogo tem sofrido com a saída de bola, mas a falta de encaixe dos volantes não é o único fator para isso. Muito se deve também ao time precisar improvisar um zagueiro canhoto no lado direito, algo que tem atrapalhado o plano de jogo de Davide, que costuma sair jogando com uma linha de três na defesa.

O desempenho de Marlon Freitas tem sido o mais prejudicado nessa nova engrenagem alvinegra. Na partida contra o Vasco, por exemplo, o capitão jogou mais recuado, auxiliando a saída de bola a maior parte do tempo, enquanto Danilo flutuava mais como um segundo homem de meio-campo. Isso fez com que ele perdesse influência na organização ofensiva.

Por ter mais capacidade de infiltração, Danilo tem jogado mais adiantado que Marlon Freitas, cujo estilo é mais passador. Essa dinâmica, porém, não precisa ser fixa. Para Rodrigo Coutinho, os dois podem revezar nas funções durante as partidas:

— Não precisa ficar preso a quem é o 5 e quem é o 8, eles podem revezar. Vários times no mundo usam uma dupla de volantes que não tem um 5 e um 8. O próprio Davide já fez isso, com saída de três com Alex Telles e dois volantes mais livres para se aproximar do ataque.

Embora a temporada esteja chegando ao momento mais decisivo, a manutenção da dupla é importante para o Botafogo, principalmente pelo entrosamento. As outras duas opções no elenco para o setor são volantes com características mais de marcação: Newton e Allan. Mas, pelo estilo de jogo, Davide deve preferir encontrar equilíbrio com Marlon e Danilo.

Botafogo: Neto; Vitinho, Kaio Pantaleão, David Ricardo e Marçal; Danilo, Marlon Freitas e Savarino; Artur, Álvaro Montoro e Arthur Cabral. Técnico: Davide Ancelotti.

Bragantino: Cleiton; Nathan Mendes, Gustavo Marques, Guzmán Rodríguez e Vanderlan; Gabriel, Eric Ramires e Jhon Jhon; Nacho Laquintana, Lucas Barbosa e Sasha. Técnico: Fernando Seabra.

  • Local: Estádio Nilton Santos.
  • Horário: 18h30.
  • Árbitro: Lucas Casagrande (PR).
  • Transmissão: Premiere e Rádio CBN.

Source link