O ano de 2025 está chegando ao fim deixando um rastro pesado na vida do brasileiro. Juros altos, crédito escasso, moeda desvalorizada e um poder de compra cada vez mais corroído tornaram o dia a dia sufocante. Soma-se a isso um desemprego real muito maior do que o retratado nas estatísticas oficiais — aquele que inclui milhões de brasileiros dependentes de benefícios e fora da engrenagem produtiva.
Mas, hoje, o tema não é apenas econômico. É moral, social e político.
Falamos da recente campanha publicitária de uma das marcas mais emblemáticas do país, que fez a internet ferver ao flertar com a polarização política. Uma empresa internacionalmente reconhecida, historicamente associada ao povo brasileiro, à simplicidade e à diversidade, decidiu entrar em um terreno que não une — divide.
Em um país cansado de conflitos artificiais, a publicidade poderia cumprir um papel muito mais nobre. Algo simples, direto e verdadeiramente inclusivo.
Isso sim representaria o Brasil real.
Quando uma marca desse porte escolhe um lado, ela deixa de falar com todos. E quem deixa de falar com todos abandona sua essência. O Brasil não precisa de mais símbolos de radicalização. Precisa de mensagens que aproximem, que reconheçam diferenças sem transformá-las em armas políticas.
Grande parte da radicalização que vivemos hoje nasce de uma confusão proposital — ou de uma incompetência política básica: governar não é representar apenas quem votou em você. Se fosse assim, nenhum programa público teria legitimidade universal.
Quem está no poder tem o dever de acalmar o ambiente, gerar oportunidades, facilitar a criação de empregos e permitir que o povo se sustente com dignidade — não com dependência permanente do Estado, a famosa “esmola” travestida de política social.
Um governo que promove prosperidade pode até ter opositores, mas será respeitado. Um governo que aposta no conflito permanente apenas coleciona ressentimentos.
Se a lógica é colocar brasileiros uns contra os outros, estimular o ódio e a rivalidade constante, surge uma pergunta incômoda: por que não transformar isso em “povo contra políticos”?
Evidentemente, isso também não seria aceitável — e não deve ser. Políticos também são brasileiros. O problema é que, ao chegarem ao poder, muitos passam a agir como se estivessem acima do país, buscando espoliar o povo, ampliar privilégios e perpetuar projetos pessoais, em vez de servir à nação.
Por isso, é preciso reafirmar o óbvio que parece ter sido esquecido: quem governa, governa para todos, inclusive — e especialmente — para seus opositores.
A oposição tem o dever de criticar. Sempre foi assim em qualquer democracia madura. Criticar não é golpe, não é crime, não é ódio — é parte do jogo institucional.
O paradoxo é simples e revelador: quando um governo governa bem, gera prosperidade, oportunidades e trata todos com respeito, a oposição perde espaço naturalmente. Suas críticas ficam mais difíceis, menos eficazes, menos convincentes. É assim que se constrói liderança legítima.
Parece que o atual governo não entendeu — ou não quer entender — essa lógica básica da democracia. Será?
Após a reação negativa à campanha publicitária, o que se viu foi previsível: aliados do governo partiram para o ataque, ampliando o conflito. Onde ficou o discurso do “amor”?
Deputados, senadores, ministros e militantes digitais parecem ignorar que palavras inflamadas não pacificam — apenas inflam ainda mais. A estratégia de criar o caos para depois posar de vítima pode até render politicamente, mas destrói o tecido social.
Todos somos brasileiros. Todos sofremos — ou prosperamos — juntos. Não existe vitória possível em um país permanentemente dividido.
Posturas como a adotada por essa campanha publicitária não ajudam em nada. Apenas aumentam a tensão, reforçam estereótipos e espelham o mesmo ódio que dizem combater.
O Brasil precisa avançar. E não avançará enquanto governos, marcas e formadores de opinião insistirem em escolher lados, em vez de escolher o bem comum. A tática do “nós contra eles” precisa acabar — antes que ela acabe de vez com aquilo que ainda nos mantém como nação.
