William Ramos / RBS TV,Reprodução
Vitor Hugo assumiu o clube há dois meses.

Novo proprietário do endividado Monsoon, o ex-jogador Vitor Hugo Manique de Jesus recebeu a reportagem de Zero Hora na segunda-feira (22) no gramado do Caponense Futebol Clube, em Capão da Canoa, onde a equipe se prepara para o Gauchão 2026.

O CEO criticou a antiga gestão do clube e afirmou que o indiano Sumant Sharma, mecenas do Monsoon entre 2021 e 2024, investiu cerca de US$ 5 milhões (cerca de R$ 27 milhões) no projeto. Apesar dos aportes, Vitor Hugo diz ter recebido apenas um número de CNPJ após a aquisição. E uma dívida na casa dos R$ 7 milhões. 

Nesta entrevista, declara que irá pagar todas as dívidas trabalhistas com jogadores, membros de comissões técnicas e empregados que atuaram no Monsoon e não receberam. Vitor Hugo não apresentou, contudo, um calendário sobre quando os débitos serão regularizados.

Entre os 12 clubes do Gauchão que começa no dia 10 de janeiro, o Monsoon conta com 30 jogadores, todos contratados depois que Vitor Hugo assumiu, em outubro. O técnico é Paulo Baier, ex-meia. O CEO não revela o valor da folha de pagamento, mas acredita que está entre as mais baixas do campeonato. 

Confira os principais trechos da entrevista. 

Por que decidiu comprar o Monsoon?

Vi uma excelente oportunidade pelo fato de já ter percorrido toda a parte mais difícil, que é sair da terceira divisão, da segunda, até chegar à primeira e se manter. Uma das coisas que a gente conversou antes de assumir (referência a parceiros comerciais de Santa Catarina) foi trazer o clube para Capão da Canoa. Tem outros clubes da região, mas nenhum deles está na elite do futebol gaúcho. E o Monsoon está. 

Se não tiver o futebol, eu perco o meu investimento, o clube fecha e o que vai acontecer?

VITOR HUGO

Novo CEO do Monsoon

Era do teu conhecimento que o clube está endividado. Isso constou no contrato de venda, certo? Já existe um plano para pagamento da dívida de R$ 6,9 milhões?

Temos prazo de 24 meses para organizar. A gente não tem obrigação de quitar as dívidas (no prazo de dois anos), mas vamos pagar da melhor forma possível. As duas coisas precisam andar em paralelo. Fazer o futebol, reorganizar as dívidas e começar os pagamentos. Trazer a confiança do investidor de volta, dos patrocinadores e dos apoiadores. Se não tiver o futebol, eu perco o meu investimento, o clube fecha e o que vai acontecer? A gente assumiu há dois meses. O que se faz em dois meses? Com uma dívida que, na verdade, já passou de R$ 7 milhões. Isso faz parte do processo da má gestão que foi feita antes. Tiveram em caixa, durante quase cinco anos, cerca de US$ 5 milhões. E, quando venderam, entregaram só um CNPJ. 

Esse recurso foi enviado pelo indiano Sumant Sharma?

Ele investiu US$ 5 milhões. É bastante dinheiro ao ponto de o clube já ter um estádio, um centro de treinamento, uma equipe de análise e desempenho da melhor qualidade. É esse tipo de coisa que a gente não quer fazer mais no futebol

O resultado do Monsoon no Gauchão de 2026 pode ser determinante para a continuidade do projeto?

O clube vai seguir, independentemente do resultado. Mas a gente vem para brigar por alguma coisa, porque eu sou um cara vencedor. Todas as pessoas que estão ao meu redor são vencedoras. E a gente está passando essa visão para os jogadores. Estamos com um grupo excelente e extremamente fechado. 

Estão no direito deles. Se eu te mostrar meu telefone hoje, tenho mais de 800 mensagens que eu não consigo responder.

VITOR HUGO

Novo CEO do Monsoon

No Gauchão, o Monsoon vai mandar jogos no Estádio Passo D’Areia, em Porto Alegre. No médio prazo, há planos de construir uma arena no Litoral, mesmo no cenário de dívidas?

Temos um plano de negócio em que, a partir do meio do ano que vem, começa a construção do centro de treinamento. A gente está em negociação com a prefeitura (de Capão da Canoa) para ganhar uma área deles, para construir uma arena multiuso. Algo que fique de legado para a comunidade, não só para o Monsoon. A gente escolheu Capão da Canoa por alguns motivos óbvios. É uma das regiões que mais cresce com a mudança do plano diretor (uma comissão foi criada no município para elaborar o projeto do novo plano diretor). Muitas construções vão acontecer e gente com dinheiro vai vir para Capão da Canoa. Isso abre um leque de oportunidades para trazer grandes patrocinadores e para que a gente possa sanar as dívidas da gestão anterior. 

Os atletas do atual grupo estão com salário em dia?

Claro, inclusive receberam pagamento dias atrás. Já iniciamos o processo de reestruturação. Patrocinadores estão começando a encostar porque veem que a diretoria atual não tem nada a ver com a anterior. 

Para todas as pessoas que a gestão anterior ficou devendo, eu tenho a responsabilidade de pagar.

VITOR HUGO

Novo CEO do Monsoon

Alguns ex-jogadores do clube tentaram contato contigo sobre os valores a receber, mas não tiveram retorno e decidiram entrar na Justiça do Trabalho. Como avalia?

Faz parte. Estão no direito deles. Se eu te mostrar meu telefone hoje, tenho mais de 800 mensagens que eu não consigo responder. Mensagens de empresários, de tudo que é tipo de pessoa pedindo, inclusive querendo botar o filho aqui (para jogar). E preciso estar toda hora negando isso, porque não é propósito do clube tirar dinheiro dos outros. Volto a dizer: para todas as pessoas que a gestão anterior ficou devendo, eu tenho a responsabilidade de pagar. Assumi a responsabilidade de zerar as dívidas do clube. 

Confira os jogos da primeira fase do Gauchão

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