O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de campanha do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se reuniu com o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD-PR), na quarta-feira (11/03), para tratar da aliança das siglas no estado e uma coligação como vice na chapa presidencial do PL. O acordo entre PL e PSD no Paraná, firmado em 2024, previa a indicação de senadores e o apoio ao escolhido pelo chefe do Executivo estadual na tentativa de fazer um sucessor nas eleições de 2026.
Com o nome de Ratinho Junior cotado, até o momento, como principal presidenciável no trio de governadores de Gilberto Kassab — o presidente nacional da sigla promete o anúncio do pré-candidato até o final de março — o paranaense passou a ser pressionado pelo PL a se posicionar sobre a construção do palanque para a campanha do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro no estado.
Após dois adiamentos, segundo apuração da Gazeta do Povo, a reunião foi realizada no gabinete de Marinho, que ofereceu a vaga de candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro para o governador do Paraná. A proposta de ocupar o papel de vice teria sido recusada por Ratinho Junior.
Assim, o PL trabalha com duas alternativas se o governador paranaense seguir como pré-candidato à Presidência pelo PSD: um convite oficial ao senador Sérgio Moro (União-PR) para disputar o governo estadual pela sigla ou uma composição com o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Alexandre Curi, que pode trocar o PSD pelo Republicanos durante a janela partidária.
Curi tem pretensões de ser candidato ao governo paranaense e a saída dele do partido de Ratinho Junior ganha força por causa da disputa com o secretário estadual das Cidades, Guto Silva, preferido do governador para concorrer à sucessão no Paraná.
Coordenador de campanha confirma convite a Moro
De acordo com as informações apuradas pela reportagem da Gazeta do Povo, o senador Rogério Marinho confirmou a aproximação com o ex-juiz da Lava Jato, que enfrenta problemas internos na federação União Progressista para se colocar como candidato no Paraná.
Anteriormente, a possibilidade de Moro se filiar ao PL havia sido negada por líderes da sigla no Paraná, além de uma resistência da ala ligada ao presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto. Mas o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro voltou a colocar o nome de Moro na mesa durante a reunião com Ratinho Junior, após o governador sinalizar que deve concorrer ao Palácio do Planalto.
Na avaliação de Marinho, o cenário inviabiliza a manutenção da aliança com PSD em prol do palanque eleitoral de Flávio Bolsonaro. Procurada pela Gazeta do Povo, a assessoria de Moro respondeu que o senador não vai comentar o assunto.
O PL chegou a cogitar o nome do presidente da sigla no Paraná, o deputado federal Fernando Giacobo, como pré-candidato ao governo. No entanto, segundo o levantamento do instituto Paraná Pesquisas, o parlamentar ainda apresenta pouca viabilidade eleitoral para o cargo de chefe do Executivo estadual.
De acordo com a pesquisa divulgada nesta quinta-feira (12/03), ele não atingiu 6% da intenção de votos. Já Moro lidera a preferência dos entrevistados variando entre 40% e 47% de intenção de voto, conforme o levantamento. A pesquisa foi contratada pelo próprio PL do Paraná.
PL pode indicar vice ao Republicanos para assegurar palanque a Flávio Bolsonaro
Com a concorrência interna no PSD, se Alexandre Curi não tiver espaço para a candidatura e o apoio de Ratinho Junior, uma filiação ao Republicanos pode se concretizar. Assim, uma coligação pode ser formada com o PL, condição que asseguraria o palanque no estado a Flávio Bolsonaro em uma possível concorrência pelo voto do eleitor paranaense com Ratinho Junior no primeiro turno.
Segundo apuração da Gazeta do Povo, o PL poderia indicar o deputado federal Reinhold Stephanes Júnior como vice na chapa com Curi. Stephanes Júnior migrou do PSD para o PL no início desta janela partidária, na última semana.
- Metodologia da pesquisa citada: 1.500 entrevistados pelo Paraná Pesquisas em 54 municípios do Paraná entre os dias 1º e 4 de março de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Partido Liberal (PL). Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,6 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº PR-06254/2026.


