Aprender a ler, escrever, compreender o sentido das palavras e desenvolver noções matemáticas básicas é um marco transformador na trajetória de qualquer criança. É quando novas possibilidades se abrem, quando o mundo ganha novos significados e quando sonhos começam a ganhar forma. Garantir que todas estejam alfabetizadas na idade certa é uma condição essencial para que cada uma possa desenvolver seu pleno potencial e para que o país avance de forma mais justa e sustentável.

Nos últimos anos, o Brasil tem avançado nessa agenda. A mobilização de estados, municípios, educadores e organizações da sociedade civil, em iniciativas como o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada e a atuação articulada da Aliança pela Alfabetização, tem contribuído para fortalecer políticas públicas e apoiar redes de ensino em todo o país. Esses avanços mostram que, quando há prioridade política, coordenação entre diferentes atores e foco em evidências, é possível transformar realidades em escala.

Os dados do Indicador Criança Alfabetizada (ICA) reforçam esse movimento. Divulgado pelo Ministério da Educação nesta segunda-feira (23), durante a entrega do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização, premiação importante para a melhoria contínua das redes de ensino, promoção da cooperação entre municípios e estados e consolidação de uma cultura de gestão comprometida com a alfabetização, o resultado mostra que o Brasil superou a meta prevista para 2025, alcançando 66% de crianças alfabetizadas na idade certa. Progresso que deve ser celebrado por todo o país, fruto de políticas públicas estruturadas e um esforço coletivo que envolve gestores, educadores e comunidades.

Ao mesmo tempo, esse dado também revela o tamanho do desafio que ainda temos pela frente. Cerca de 780 mil crianças seguem sem alcançar a alfabetização na idade certa. Cada uma delas representa um potencial interrompido, uma oportunidade adiada, um futuro que não pode esperar. É por isso que não podemos tratar o avanço como ponto de chegada.

Garantir que crianças de sete anos estejam alfabetizadas significa criar as bases para toda a trajetória escolar e para uma vida com mais oportunidades. Não podemos nos contentar com metas intermediárias. O país precisa chegar a 100% das crianças alfabetizadas na idade certa.

O regime de colaboração entre estados e municípios, fortalecido pelo Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, tem se mostrado um instrumento eficaz para impulsionar esses resultados. Os avanços dependem de compromisso político contínuo, de prioridade na agenda pública e da capacidade de transformar diretrizes em ações concretas nas redes de ensino. Alfabetizar com qualidade exige um esforço estruturado, coordenado e sustentado ao longo do tempo.

O Brasil está em um caminho promissor, mas ainda distante da meta de 80% até 2030. Isso exige acelerar o ritmo, garantir continuidade nas políticas públicas e manter o foco na redução das desigualdades. Não basta preservar os avanços. É preciso ampliá-los com mais velocidade e consistência.

Alfabetizar na idade adequada é uma agenda estratégica para o desenvolvimento econômico, social e sustentável do país. Segundo o Banco Mundial, avanços em educação e saúde podem elevar significativamente o PIB per capita nas próximas décadas. Não há país desenvolvido que tenha negligenciado a aprendizagem de suas crianças nos primeiros anos.

Erradicar o analfabetismo é um sonho possível. O Brasil já mostrou que sabe o caminho. O que está em jogo agora é a decisão de avançar com a urgência, a ambição e o compromisso que nossas crianças precisam. Não podemos deixar ninguém para trás.

A Fundação Lemann, o Instituto Natura e a Associação Bem Comum fazem parte da Aliança pela Alfabetização. 

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