A decisão de Andressa Urach de realizar uma cirurgia para “voltar a ser virgem” voltou a gerar debate nas redes sociais e levantou dúvidas sobre o procedimento conhecido como himenoplastia.
Segundo a ginecologista Fernanda Torras, a técnica consiste na reconstrução do hímen, membrana localizada na entrada da vagina. “É um procedimento relativamente simples, em que utilizamos fios finos e absorvíveis para aproximar os remanescentes da membrana, recriando essa estrutura”, explica.
O objetivo, segundo a médica, é que, em uma relação sexual futura, haja uma resistência ou até sangramento — fatores culturalmente associados à primeira relação.
Apesar disso, a especialista faz um alerta importante: “A virgindade não é uma condição médica, mas sim um conceito social e cultural. O hímen pode se romper por diversos motivos ao longo da vida, inclusive sem relação sexual”, afirma.
Há riscos?
Embora seja considerada uma cirurgia de baixa complexidade, o procedimento exige cuidados. “Quando realizado por profissionais qualificados, os riscos são baixos, mas podem ocorrer complicações como infecção, sangramento, inchaço ou cicatrização inadequada”, explica.
Outro ponto de atenção é evitar o estreitamento excessivo da entrada vaginal, que pode causar dor ou desconforto em relações futuras.
Além da parte física, a médica destaca a importância da avaliação emocional. “É fundamental entender o motivo da paciente e garantir que a decisão seja consciente, sem pressão externa e com expectativas realistas”, pontua.
Crescimento dos procedimentos íntimos
A repercussão de casos como o de Andressa também evidencia um movimento crescente na ginecologia. Segundo a especialista, a busca por procedimentos íntimos vem aumentando, mas, na maioria das vezes, com outro foco.
“Hoje, a procura está muito mais ligada à saúde, ao conforto e à autoestima. Procedimentos como ninfoplastia, preenchimento de grandes lábios e tecnologias como laser íntimo têm ganhado espaço por tratarem queixas reais”, explica.
Em fases como o climatério e a menopausa, por exemplo, esses tratamentos podem ajudar na lubrificação, na saúde da mucosa vaginal e no conforto durante as relações. “A avaliação deve ser sempre individualizada, com foco no bem-estar da mulher — e não na busca por padrões irreais”, conclui.
