O bitcoin caiu brevemente abaixo de US$ 65 mil (R$ 334,5 mil) nesta segunda-feira (23), pela segunda vez neste mês, abalado pela incerteza sobre o status das tarifas dos Estados Unidos.

O ativo digital original caiu até 4,8%, para quase US$ 64,3 mil (R$ 331 mil), o menor valor desde 6 de fevereiro. Outros tokens tiveram desempenho ainda pior. O ether, a segunda maior criptomoeda, recuou até 5,2%. Mais tarde, o bitcoin recuperou parte dessas perdas, negociado acima de US$ 66,3 mil (R$ 341 mil) no início da manhã em Nova York. O ether era negociado em torno de US$ 1.915 (R$ 9.858).

As perdas ocorrem depois que autoridades dos EUA disseram, no domingo, que acordos comerciais já negociados com os parceiros permanecem em vigor, apesar de uma decisão da Suprema Corte americana anular o uso, pelo presidente Donald Trump, de poderes de autoridade de emergência para impor tarifas.

Em uma publicação nas redes sociais no sábado, Trump disse que aumentaria a tarifa global de 10%, que havia anunciado um dia antes, para 15%, provocando ainda mais turbulência econômica.

“Por enquanto, os compradores de bitcoin estão mantendo o nível de US$ 65 mil”, disse Chris Beauchamp, analista-chefe de mercado da IG. “Uma queda abaixo desse nível durante a madrugada ocorreu em baixa liquidez e, por enquanto, foi comprada. É claro que se recuperar de uma mínima é muito diferente de um rali completo”

Anteriormente neste mês, o bitcoin apagou todos os ganhos remanescentes desde que Trump venceu a reeleição em novembro de 2024. As expectativas em torno de um segundo mandato de Trump mais favorável às criptomoedas levaram o bitcoin a um preço recorde acima de US$ 126 mil em outubro passado, pouco antes de uma onda de vendas massiva que deixou os ativos digitais em dificuldades desde então. O mercado de criptomoedas viu mais de US$ 2 trilhões em valor desaparecer, com o setor de tokens menores sendo particularmente atingido.

“O mercado de criptomoedas continua frágil, com os participantes do mercado contando com suporte em US$ 60 mil”, disse Caroline Mauron, cofundadora da Orbit Markets. “A incerteza macroeconômica está agora pesando sobre o mercado, desde tensões geopolíticas com o Irã até o vaivém das tarifas dos EUA, e pode levar a outro teste desse nível.”

Os doze fundos de bitcoin à vista listados nos EUA registraram a quinta semana consecutiva de saídas líquidas —a sequência mais longa desde fevereiro do ano passado— com investidores retirando US$ 3,8 bilhões nesse período.

Somente nas últimas 24 horas, o mercado de criptomoedas perdeu mais US$ 100 bilhões em valor, de acordo com dados da CoinGecko. Dados da Deribit, bolsa de derivativos de criptomoedas, mostraram que a proteção contra quedas está concentrada em torno da marca de US$ 60 mil.

Além das notícias mais recentes sobre tarifas, o pessimismo contínuo destaca o quanto o bitcoin está “clamando por uma nova narrativa neste momento”, disse Robin Singh, CEO da plataforma de impostos para criptomoedas Koinly. “Apesar do recente otimismo em torno da Lei de Clareza dos EUA, ela não moveu muito os preços, sugerindo que esse catalisador não é a narrativa que aumentará a cotação do bitcoin”

Rachael Lucas, analista da BTC Markets, afirmou que US$ 65 mil continua como um nível de suporte fundamental para o token.

“Uma queda abaixo disso coloca os US$ 60 mil em jogo”, disse. “No cenário de alta, os otimistas precisam retomar US$ 70 mil para mudar a narrativa”.

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