Um dos jogos mais populares da história do primeiro PlayStation, o Crash Bandicoot ficou marcado não apenas pelo sucesso entre jogadores, mas também por ter influenciado, de forma inesperada, a carreira do ex-jogador Zé Roberto durante sua breve passagem pelo Real Madrid. A informação foi revelada pelo ex-lateral e meia em entrevista ao Globo Esporte.

Lançado em 1996 e desenvolvido pela Naughty Dog, o jogo de plataforma em terceira pessoa acompanha o bandicoot Crash em uma jornada para impedir os planos de dominação mundial do cientista maluco Dr. Neo Cortex e resgatar sua namorada Tawna. A aventura se passa nas ilhas fictícias de Wumpa e mistura desafios de precisão, obstáculos e batalhas contra inimigos enviados pelo vilão.

Trecho de gameplay de Crash Bandicoot, lançado para o PlayStation em 1996 — Foto: Reprodução: YouTube

Com narrativa linear e forte apelo visual para a época, o jogo conquistou críticas positivas por seus gráficos, trilha sonora e nível de desafio. Ao longo dos anos, tornou-se um dos títulos mais vendidos do PlayStation, com mais de 6 milhões de cópias comercializadas mundialmente. O sucesso deu origem a uma franquia duradoura e, décadas depois, a uma versão remasterizada lançada em 2017 dentro da coletânea Crash Bandicoot N. Sane Trilogy.

Para Zé Roberto, porém, o jogo teve um impacto inesperado fora do universo gamer. O ex-meia contou que a obsessão por “zerar” o título contribuiu para prejudicar seu desempenho quando tinha apenas 21 anos e atuava pelo Real Madrid.

— Foi muito difícil assimilar tudo isso. O videogame me atrapalhou muito porque eu era molecão: 21 anos. Minha esposa também era muito jovem, de 18 para 19. Um dos meus sonhos, além de me tornar jogador e comprar um carro, era ter um PlayStation. E a gente comprou. Recém-casado, eu parecia um galo. Namorava o dia todo e, à noite, ia jogar videogame. Eu perdi toda a minha performance, chegava ao clube para treinar com olheira. Imagina: o cara namora o dia todo e, à noite, perde o sono jogando videogame.

O ex-jogador relatou que a rotina de noites mal dormidas e a pressão para terminar o jogo acabaram afetando sua forma física.

— Aquela época foi a única em que eu saí da minha forma física, porque o jogo me gerava muito estresse. Eu queria zerar e não conseguia. Aí me dava fome de madrugada. Eu ia comer biscoito. Eu comia muito biscoito. Eu falava: “Me traz um biscoito.” Eu ia comer um, terminava com a caixinha. Aí vinha lanche, refrigerante… Eu fui ficando acima do peso sem perceber. E estressado por causa do jogo. Isso é algo que tira a concentração e o foco de muitos atletas hoje.

No clube espanhol, Zé Roberto disputou apenas 21 partidas em pouco mais de um ano. Apesar da passagem curta, o episódio acabou se tornando uma lição para o jogador, que depois construiu carreira sólida na Europa e virou ídolo de equipes como o Bayern de Munique.

Assim, enquanto Crash Bandicoot entrou para a história como um dos maiores clássicos dos videogames, também ficou registrado na memória do futebol como o jogo que, segundo o próprio Zé Roberto, acabou atrapalhando um dos momentos mais importantes de sua trajetória profissional.

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