Cuidados simples com os aparelhos domésticos ajudam a reduzir gastos, evitar o descarte precoce e diminuir o impacto ambiental do lixo eletrônico no Brasil.

O debate sobre a durabilidade dos eletrodomésticos ganhou relevância nos últimos anos, especialmente diante do aumento do custo de vida e da necessidade de práticas mais sustentáveis dentro de casa. Prolongar a vida útil dos aparelhos não é apenas uma escolha econômica, mas também uma resposta concreta ao avanço do descarte de resíduos eletrônicos no país.

Dados da ONG EcoBraz, que reúne informações de órgãos ambientais, cooperativas de reciclagem e relatórios setoriais, mostram que o Brasil gerou mais de 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico em 2024. O levantamento, divulgado em 2025, considera equipamentos domésticos descartados, incluindo aparelhos que ainda poderiam ser recuperados com manutenção adequada.

Esse cenário está diretamente ligado à falta de informação sobre cuidados básicos e à cultura da substituição rápida. Estudos do setor elétrico e eletrônico, reunidos pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) entre 2022 e 2024, indicam que muitos eletrodomésticos são descartados antes de atingir metade da vida útil projetada pelos fabricantes.

Guia prático de manutenção preventiva para aparelhos básicos

A manutenção preventiva é apontada por especialistas como um dos principais fatores para prolongar a vida útil dos aparelhos domésticos. Orientações técnicas reunidas em manuais de fabricantes e reportagens especializadas indicam que ações simples, como limpeza periódica e uso adequado, podem ampliar o tempo de funcionamento dos equipamentos em até 30%.

Geladeiras, por exemplo, exigem atenção às borrachas de vedação e à parte traseira, em que o acúmulo de poeira pode sobrecarregar o motor. Máquinas de lavar precisam respeitar a capacidade máxima indicada e passar por ciclos regulares de limpeza interna. Já fogões e fornos demandam higienização frequente para evitar desgaste precoce de peças.

Além de preservar os aparelhos, esses cuidados impactam diretamente a economia doméstica. Um estudo do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), realizado em 2023 com base em dados de assistências técnicas em capitais brasileiras, apontou que o custo da manutenção preventiva é, em média, significativamente menor do que o valor de substituição de um eletrodoméstico novo.

Quando vale a pena consertar ou substituir um equipamento?

A decisão entre consertar ou trocar um aparelho envolve critérios financeiros e ambientais. Um levantamento da Fundação Itaipu, divulgado em 2024, analisou orçamentos de oficinas técnicas e preços médios de mercado. O estudo concluiu que, quando o valor do reparo não ultrapassa cerca de 40% do preço de um produto novo, o conserto tende a ser a opção mais vantajosa para o consumidor.

Outro aspecto relevante é o impacto ambiental do descarte de eletrônicos. A substituição frequente aumenta a demanda por matérias-primas e pressiona sistemas de coleta e reciclagem, que ainda apresentam falhas em muitas regiões do país. Por isso, avaliar a possibilidade de conserto é parte central das práticas de sustentabilidade no lar.

Alguns equipamentos exigem cuidados específicos para garantir segurança e durabilidade. A limpeza frequente das vedações da porta e o uso de tampas apropriadas evitam o acúmulo de resíduos que podem danificar as paredes internas do micro-ondas, aumentando sua vida útil em vários anos. Esses cuidados também reduzem falhas no funcionamento e ajudam a manter o consumo de energia dentro dos padrões esperados.

Ao adotar hábitos simples de cuidado e avaliar com critério o momento certo de substituir um aparelho, o consumidor contribui para um modelo de consumo mais consciente, equilibrando orçamento familiar, funcionalidade e responsabilidade ambiental.