A escritora Maytê Carvalho entrou com uma ação judicial de produção antecipada de provas para que Gabriela Prioli seja investigada por plágio.

No processo, que corre na 2ª Vara Empresarial e de Conflitos de São Paulo, Maytê afirma que há indícios de que obras escritas por ela, como o livro “Persuasão – Como utilizar a retórica e a comunicação persuasiva na sua vida pessoal e profissional”, foram indevidamente copiadas ou reproduzidas pela advogada e apresentadora no curso online “Comunicação com Gabriela Prioli”.

A escritora também solicita que seja apurado se a apresentadora obteve lucro com o projeto que teria supostamente copiado suas obras.

Procurada, Gabriela diz por meio de sua assessoria de imprensa que todo o conteúdo do seu curso “é autoral, com todas as fontes devidamente indicadas, e qualquer alegação em contrário não corresponde à realidade”.

“Vale dizer que, até o momento, não dispomos de qualquer informação oficial acerca de eventual processo judicial, tendo tomado conhecimento do tema exclusivamente por meio da imprensa”, afirma a nota.

Segundo a ação, ambas eram amigas próximas. Gabriela chegou a assinar o prefácio de “Persuasão”. Por essa afinidade, elas teriam idealizado juntas, em março de 2020, um curso online de oratória chamado “Como falar bem em público”, que acabou não sendo comercializado.

Posteriormente, ainda em 2020, o DJ Thiago Mansur, marido de Gabriela, teria entrado em contato com Maytê para que ela elaborasse um projeto editorial de outro curso de oratória que seria desenvolvido pelas duas. A escritora afirma que encaminhou um documento mais completo, com cronograma de trabalho, métodos de ensino e projeções de faturamento.

De acordo com o processo, as negociações teriam avançado e, por isso, Maytê teria compartilhado seus livros e trabalhos com Gabriela. No entanto, em novembro de 2021, ela afirma ter sido surpreendida quando a apresentadora disse que o projeto não seria mais desenvolvido em parceria. Nesse momento, Gabriela teria sugerido que Maytê fosse uma “ghostwriter”, a pessoa responsável pelo conteúdo do curso, mas que não aparece como autora. Também teria sido sugerido que elas poderiam pensar em uma forma de remuneração pela prestação do serviço.

A escritora afirma que negou a proposta por não ser de seu interesse profissional. No ano passado, porém, quando a apresentadora lançou o “Comunicação com Gabriela Prioli”, Maytê afirma ter visto “estranhas similaridades” entre o curso e os livros que ela tinha compartilhado anteriormente com a advogada, em especial “Persuasão” e “Ouse Argumentar: Comunicação assertiva para sua voz ser ouvida”.

Segundo o processo, “chama a atenção a reprodução de figuras de linguagem e expressões com variações mínimas, o que sugere que o conteúdo foi extraído diretamente do material compartilhado anteriormente com Gabriela Prioli, incluindo as obras literárias já mencionadas”.

Um dos exemplos citados é um dos títulos escolhidos por Gabriela para o seu ebook: “As principais falácias lógicas e como escapar delas”. No livro “Persuasão”, de Maytê, há um capítulo nomeado “Isso é uma falácia! Como identificá-las (e como evitar cair em uma)”.

“A aparente similitude não se restringe à mera coincidência terminológica, mas sugere uma transposição do encadeamento lógico e da proposta didática desenvolvida originalmente por Maytê. Ao espelhar a estrutura de ‘identificação’ e ‘fuga” das falácias, os pilares centrais do capítulo de Maytê, o material da requerida [Gabriela] apresenta indícios de que pode ter se valido de uma reprodução disfarçada da obra que a própria Gabriela Prioli, em momento anterior, prefaciou e teve acesso integral”, diz.

Outro trecho da ação diz que Maytê, em “Persuasão”, recomenda que um orador não termine um raciocínio com a expressão “É isso”. Ao contrário, ela indica que a pessoa deve finalizar em alta, evitando esse desfecho.

Segundo o processo, Gabriela se utiliza da mesma dica no seu curso. “O que a gente evita no encerramento: frases genéricas e vazias como o comum ‘bom, era isso, acho que terminei’.”

O processo é assinado pelos advogados Mayra Jardins Martins Cardozo, Hugo Nakashoji, Gabriela Fernandes Cazalli e Beatriz Regina Múrias Melo.

com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

Fonte do Artigo