A fabricante paranaense de embarcações Fluvimar anunciou a entrada no mercado paraguaio a partir de fevereiro de 2026, dando início ao seu processo de internacionalização em um momento de expansão da indústria náutica no Brasil. Segundo projeções da Associação Brasileira dos Construtores de Barcos (Acobar) e dados do Ministério do Turismo, o segmento deve crescer até 12% neste ano, impulsionado pela demanda por lazer fluvial e pesca esportiva.
“A escolha do Paraguai reflete não apenas o potencial da navegação fluvial no país, mas também o fortalecimento do intercâmbio econômico com o Brasil. Para fabricantes nacionais, a proximidade logística e os acordos comerciais no âmbito do Mercosul reduzem barreiras tarifárias e operacionais, tornando o país um ponto natural para a primeira fase de internacionalização”, destaca Raquel Oliveira, CEO da Fluvimar.
Com sede no Paraná, a companhia investiu cerca de R$ 1 milhão em estrutura logística, adaptação comercial e preparação operacional para atender fora do país. O Paraguai será o primeiro destino internacional da marca e passa a integrar a estratégia de crescimento da empresa.
Oliveira explica que “a meta inicial é vender 50 embarcações no primeiro ano, com atuação concentrada em polos urbanos e turísticos como Assunção, Encarnación, Hernandárias, Ciudad del Este e Salto del Guairá, regiões conectadas às bacias dos rios Paraguai e Paraná e com demanda histórica por pesca e transporte fluvial recreativo”.

A iniciativa da Fluvimar acontece em um cenário onde fabricantes brasileiros de bens duráveis buscam alternativas para reduzir a dependência do mercado interno. Os elevados custos industriais, as oscilações na demanda doméstica e o fortalecimento da integração comercial no Mercosul têm motivado empresas a considerar países vizinhos como ponto de partida para expansão internacional.
Apesar de o Brasil possuir uma das maiores redes hidrográficas do planeta, a densidade de embarcações por habitante ainda é consideravelmente inferior à observada em economias mais maduras, o que sustenta perspectivas de crescimento estrutural para o setor. Para a indústria náutica brasileira, a exportação representa uma oportunidade de ampliar escala produtiva, diluir custos fixos e diversificar fontes de receita.
No mercado paraguaio, a Fluvimar disponibilizará seu portfólio completo, incluindo embarcações voltadas tanto ao lazer quanto à pesca profissional. Entre os modelos que a empresa pretende introduzir estão a linha Boto, Apache, Cherokee, Yankee 195 fishing e os pontoons apresentados no São Paulo Boat Show, além da linha BASS, especialmente projetada para longas jornadas de pesca.
Raquel explica que a fase inicial prioriza posicionamento de marca e relacionamento comercial. “O foco inicial é apresentar a Fluvimar ao mercado paraguaio, estruturar a rede de distribuição e construir presença. O crescimento vem na sequência”, afirma.
De acordo com ela, o plano de entrada foi desenhado considerando particularidades culturais e operacionais do país, especialmente em relação ao perfil do pescador local e ao uso recreativo das embarcações.
Do ponto de vista comercial, a relação bilateral entre Brasil e Paraguai é saudável e vem crescendo. Segundo estatísticas oficiais divulgadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) do Brasil, em 2024, o comércio entre os dois países atingiu US$ 7,27 bilhões, com um avanço de quase 10%, o melhor resultado em uma década.



