Entre 1934 e 1946, o Brasil viveu uma era de glamour e sofisticação concentrada nos salões de jogos espalhados pelas principais cidades do país. Cassinos como o da Urca, no Rio de Janeiro, e o da Pampulha, em Belo Horizonte, funcionavam como complexos de entretenimento que atraíam celebridades nacionais e internacionais, impulsionando a economia do país.

Só que com a proibição decretada em 30 de abril de 1946, todo esse ecossistema foi encerrado abruptamente. No entanto, os edifícios que abrigavam os cassinos permaneceram e foram transformados em museus, hotéis, estúdios de TV e até escolas.

Cassinos no Brasil: auge do glamour e entretenimento nos anos 1930-1940

Os cassinos brasileiros eram centros culturais que ofereciam alta gastronomia, grandes orquestras e espetáculos com artistas renomados da época. O Cassino da Urca, por exemplo, recebeu nomes como Frank Sinatra e Walt Disney, enquanto o Hotel-Cassino Quitandinha, em Petrópolis, era frequentado por políticos e empresários influentes.

Cassinos eram sinônimos de luxo e diversão

A arquitetura dos cassinos refletia a ambição de criar espaços que rivalizassem com os grandes centros europeus e dos Estados Unidos. O Cassino da Pampulha, projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1942, era uma “caixa quadrada” inovadora às margens da Lagoa da Pampulha, com bar no andar inferior e restaurante no superior.

O Copacabana Palace, inaugurado em 1923, é hoje um dos edifícios mais famosos do Rio de Janeiro e isso vem desde seus primeiros anos. Em pouco tempo, o hotel se tornou referência de luxo ao combinar hospedagem de alto padrão com um cassino interno que era o ponto de encontro da elite carioca. 

Então veio a proibição

Em 30 de abril de 1946, o presidente Eurico Gaspar Dutra assinou o Decreto-Lei nº 9.215, que proibiu os jogos de azar em todo o território nacional. A decisão pegou empresários de surpresa, já que muitos haviam apoiado a campanha de Dutra acreditando que ele manteria a legalidade dos jogos.

A proibição de 1946 encerrou os grandes salões, mas não apagou o interesse dos brasileiros pelo jogo. Quase oito décadas depois, com a regulamentação do setor de apostas online em 2024, esse mercado voltou a crescer em novos formatos. O crescimento dos cassinos online no estado do Rio de Janeiro reflete exatamente essa retomada, agora em ambiente digital e regulamentado.

O que viraram os edifícios dos cassinos?

Após a proibição, os edifícios que abrigavam os cassinos tiveram de ser readequados para novos propósitos, claro.

O Cassino da Urca, por exemplo, foi comprado pelo jornal Diários Associados e funcionou como estúdio da TV Tupi entre 1954 e 1980. Após décadas de abandono, foi restaurado pelo Istituto Europeo di Design (IED) e, em 2023, passou a abrigar o Colégio Eleva Urca.

Já o Cassino Atlântico, também no Rio de Janeiro, serviu de sede para a extinta TV Rio e, por volta de 1970, deu lugar ao Shopping Cassino Atlântico e ao hotel Rio Palace. Atualmente, o espaço é ocupado pelo hotel de luxo Sofitel Rio de Janeiro.

Indo para o estado vizinho, em Minas Gerais, o antigo Cassino da Pampulha, em Belo Horizonte, hoje é o Museu de Arte da Pampulha, preservando um acervo com parte da arte contemporânea do Brasil.

Os cassinos voltarão a ser permitidos no Brasil?

A legalização em 1934 foi seguida por uma proibição abrupta em 1946, e o debate sobre a retomada da atividade permanece vivo até hoje. Em 2023, o governo federal regulamentou as apostas esportivas, sinalizando uma mudança de postura em relação ao setor. Paralelamente a isso, já há no Senado Federal uma discussão sobre a legalização dos cassinos físicos no Brasil.

Se os legisladores ouvirem especialistas e se atentarem ao que dá certo em outros países como Estados Unidos, França e Singapura, o Brasil pode voltar a permitir a operação de cassinos em seu território. Resta esperar o desenrolar dos próximos anos para entender o que o setor encontrará.