Nesta terça-feira (27/01) o Museu do Holocausto de Curitiba inaugurou a recém-reformada Sala dos Guetos, que apresenta o contexto do confinamento de judeus e ciganos Roma e Sinti. A abertura da sala acontece no Dia Internacional em Memória às Vítimas do Holocausto.

O espaço integra o percurso expositivo do museu e reúne cerca de dez objetos originais de acervo, alguns deles expostos pela primeira vez, como o disco de vinil “La canciones del Ghetto”, de 1966. Esta é a segunda sala reformulada pela instituição e faz parte de um projeto de longo prazo que prevê a atualização de um espaço expositivo por ano.

“A memória do Holocausto continua sendo construída ao longo dos anos. Por isso, estamos sempre atualizando nossa exposição para contar mais histórias e dialogar com as novas gerações, além de trazer um aprimoramento no sentido de tecnologia e acessibilidade, que não havia há 15 anos, quando o museu foi concebido. Cada objeto dessa nova sala conta a história de alguém”, destaca Carlos Reiss, coordenador-geral do Museu do Holocausto de Curitiba.

A nova sala foi reformulada com foco em acessibilidade, incluindo um mapa tátil e recursos que ampliam a experiência de visitação, como tablets e novos itens de acervo, a exemplo do cartão de racionamento de Emil Weinhausen, do Gueto de Theresienstadt, além de cédulas e moedas dos Guetos de Lodz e Theresienstadt, de 1943. O espaço também oferece mais ferramentas pedagógicas para os mediadores durante as visitas guiadas.

Foto: Divulgação Museu do Holocausto de Curitiba

Um dos destaques do espaço é a fotografia que ocupa uma das paredes e retrata crianças do Gueto de Lodz, na Polônia. Na imagem, é possível identificar Aleksander Henryk Laks, sobrevivente do Holocausto que posteriormente imigrou para o Brasil. Único sobrevivente da família, ao longo de seis anos Laks passou por diversos campos, como Auschwitz e Flossenbürg, na Bavária. Ele chegou ao Rio de Janeiro no fim dos anos 1940, naturalizou-se brasileiro e dedicou boa parte da vida a educar jovens sobre o Holocausto. Aqui, casou-se e teve dois filhos. Ele morreu aos 88 anos, em 2015.

Eu Nunca Mais Vi Outra Borboleta

A inauguração da sala ocorreu durante o evento “Eu Nunca Mais Vi Outra Borboleta”, em homenagem ao Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, que marca a liberação do complexo de extermínio de Auschwitz-Birkenau, em 27 de janeiro de 1945.

Promovido nesta terça-feira (27/01) pelo Museu do Holocausto de Curitiba e pela Federação Israelita do Paraná, o evento teve como tema o poema “A Borboleta”, escrito por Pavel Friedmann no Gueto de Theresienstadt. O texto aborda temas como liberdade, sonhos e democracia. Friedmann foi assassinado em Auschwitz em 1944, aos 23 anos, dois anos depois de ter escrito o poema.

Durante a cerimônia, o sobrevivente do Holocausto Claude Franck Loewenthal, de 81 anos, destacou a importância da preservação da memória. “Apesar de tantas provas e registros, hoje, em muitos lugares, há pessoas que não acreditam que o Holocausto existiu. Cabe a nós manter viva essa memória.”

Foto: Divulgação Museu do Holocausto de Curitiba

Claude nasceu em 1944, depois que a mãe Judith, uma judia alemã que foi presa em dois campos de concentração no sul da França, recebeu autorização para dar à luz na maternidade da Cruz Vermelha em Elne, onde ambos foram mantidos escondidos. Seu pai, também judeu, foi deportado e assassinado. Após a guerra, Claude se estabeleceu no Brasil e vive em Curitiba desde a década de 1950. Formado em Engenharia Elétrica, atuou na Companhia Paranaense de Energia (Copel) e como professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

O evento contou ainda com a presença de autoridades, entre elas o presidente da Diretoria Executiva da Kehilá (Centro Israelita do Paraná), Atila Cordova, e o vice-presidente da Federação Israelita do Paraná, Fernando Brodeschi, que ressaltaram a necessidade de preservar a memória e enfrentar o antissemitismo e todas as formas de intolerância.

“Lembrar não é apenas um exercício de memória histórica, é um compromisso contínuo com a dignidade humana, com a vida e com os limites que jamais podem ser ultrapassados por nenhuma sociedade. O Holocausto é um alerta permanente sobre onde o ódio, a desumanização e a indiferença podem nos levar”, disse Atila Cordova.

Durante o ato solene, netos e bisnetos de sobreviventes do Holocausto, que reconstruíram vidas no Brasil, acenderam seis velas em homenagem aos seis milhões de judeus assassinados pelo regime nazista.

Visitas ao Museu do Holocausto em Curitiba

As visitas ao Museu do Holocausto de Curitiba, com ou sem mediação, são gratuitas e devem ser agendadas previamente pelo site do museu.

Para grupos escolares ou institucionais, o limite é de até 45 visitantes, com idade mínima de 12 anos (8º ano do Ensino Fundamental). O agendamento para esses grupos estará disponível a partir de 1º de março.

Visitantes que irão ao museu pela primeira vez devem realizar um cadastro no site antes de concluir o agendamento. Em caso de dúvidas, é possível entrar em contato pelo número (41) 3093-7462 ou pelo e-mail agendamento@museudoholocausto.org.br.

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