Normalmente, vemos a cidade como um conjunto de ruas, prédios e estradas. Achamos que a cidade é organizada, eficiente e funcional. Mas, se diminuirmos o ritmo e olharmos com atenção, podemos descobrir um universo paralelo, que existe segundo as suas próprias leis, bem debaixo dos nossos pés e acima das nossas cabeças.

É o mundo da microtopografia, em que uma fissura no asfalto se transforma num majestoso desfiladeiro e uma gota de chuva num hidrante é como um planeta inteiro com a sua própria gravidade. Para estudar esta paisagem invisível, não é preciso equipamento especial. Só é preciso mudar a forma como vemos as coisas e estar abertos a novas surpresas. É uma forma de estar atento que faz com que uma viagem de metro para casa se torne numa aventura emocionante. Em vez de olharmos para as “cinco grandes”, ouvimos ecos da natureza selvagem que se abrem caminho através do betão e do aço, e encontramos beleza inesperada nos lugares mais comuns. Esta capacidade de navegação urbana leva-nos a uma realidade paralela que existe no mesmo sítio, mas de uma forma completamente diferente.

A arte de ver o que não se vê

Para aprender a ver mundos ocultos, basta seguir algumas práticas simples. Todas as pessoas, em qualquer lugar, podem aprender. O mais importante é desacelerar conscientemente e focar-se nos detalhes.

O nosso cérebro poupa energia ao criar padrões de perceção: a calçada é apenas uma calçada, a parede é apenas uma parede. O investigador urbano tem como objetivo identificar e alterar esses padrões.

Siga estes três passos para começar a ver a cidade de forma diferente:

  • Mudança de escala. Agache-se e olhe para um pedaço de terra com um metro quadrado ao pé de uma árvore velha ou na parede de uma garagem. Vai ver que não é só uma massa cinzenta, mas sim um relevo cheio de vida, com solo, musgo, líquenes, pequenas plantas e insetos. É um ecossistema completo, com os seus habitantes, cadeias alimentares e paisagens. Olhe para os padrões formados pelos brotos de grama que crescem entre as telhas — é um mapa único que só você verá.
  • Jogo de texturas. A cidade é como um mapa tátil que geralmente ignoramos. Toque na casca de diferentes árvores: áspera e rachada em um carvalho centenário, lisa e sedosa em um bordo jovem. Passe a mão por uma parede de concreto áspera e sinta o frio do granito polido pelo tempo nos degraus de um prédio antigo. Olhe para o padrão que se vê numa tampa de metal. Talvez a ferrugem tenha criado uma imagem abstrata que até poderia estar numa galeria de arte.
  • Procura pegadas. Procure sinais de vida à sua volta: uma pena fofa de pombo presa na grade da calha, as unhas elegantes de um gato na areia húmida do parque infantil, as marcas de dentes de um esquilo numa pinha, os padrões curiosos da ferrugem numa cerca velha ou da tinta descascada na porta de um armazém abandonado. Cada um desses vestígios é uma pequena história sobre a vida invisível da cidade.

O que procurar especificamente num “safári urbano”?

Guia detalhado para investigadores iniciantes

Vegetação pioneira: olhe para as plantas que nascem nos sítios mais difíceis de imaginar, como o musgo nas cornijas dos prédios altos, a erva nas juntas das paredes de betão, e até pequenas árvores enraizadas nos telhados de prédios antigos. A sua resistência e capacidade de sobrevivência são impressionantes.

Relevo em miniatura: depois da chuva, olhe para a rede de riachos que se forma no asfalto, para as dunas de areia na beira da estrada, moldadas pelo vento, e para os pequenos desfiladeiros nas fendas da calçada, onde se acumulam água e folhas caídas. É como ver uma pequena amostra de uma região inteira.

Arte aleatória: marcas de pneus no asfalto, que criam símbolos misteriosos; sombras caprichosas de grades e cercas nos raios do sol poente; grafites que só se veem sob um certo ângulo; gotas de tinta que criam um padrão único nas andaimes.

Esta prática não só melhora a atenção, como também muda completamente a forma como vemos a cidade, tornando-a mais viva, profunda e misteriosa. Agora que é um biógrafo, cartógrafo e investigador da cidade, já não é apenas mais um morador dela.

Espaços digitais para encontrar pessoas com quem não se tem uma relação fixa

É curioso que a nossa necessidade natural de descobrir coisas e de nos encontrarmos com pessoas de forma espontânea e inesperada seja satisfeita não apenas em espaços reais, mas também em espaços digitais. Num mundo onde grande parte da nossa vida online é cuidadosamente programada por algoritmos e previsível, as pessoas querem que aconteçam coisas inesperadas. Um exemplo claro desta necessidade é o videochat Camgo. No fundo, é a mesma procura do inesperado, mas num ambiente virtual. Nunca se sabe que “paisagem urbana” da personalidade humana se revelará a seguir — seja um estudante de Tóquio, um músico do Rio de Janeiro ou um artista de Berlim.

Porque é que estas plataformas atraem as pessoas que gostam de explorar coisas novas? Vamos analisar isto

  • O elemento surpresa. Tal como quando se procura musgo numa parede antiga, não se pode prever a próxima descoberta. Esta imprevisibilidade cria uma emoção especial, parecida com a emoção do pioneiro. Cada clique é como abrir uma porta para o desconhecido.
  • A beleza da fugacidade. O conhecimento dura o tempo que quiser, tal como a impressão de um jogo de luzes vista por acaso na fachada de um edifício. Estes encontros rápidos são importantes porque são únicos e porque não deixam rasto, existindo apenas na memória das pessoas que lá estiveram.
  • Escala global. Pode “viajar” por diferentes países e culturas sem sair de casa, conhecendo pessoas dos mais diversos cantos do mundo. É como uma viagem para conhecer outras culturas. Em poucas horas, podemos visitar muitos países e conhecer as suas gentes.

O CooMeet é semelhante a um parque temático porque organiza as descobertas aleatórias, oferecendo uma experiência mais controlada e adaptada a uma forma específica de comunicação. Se o Camgo é como uma selva, com becos e vielas, onde podemos encontrar de tudo, então o coomeet.com/pt/camgo é um parque bem cuidado, com placas de sinalização e trilhos demarcados. Estudar estas plataformas também é uma espécie de pesquisa antropológica. Esta pesquisa permite ver como é que as pessoas procuram novos encontros e experiências casuais no ambiente digital. Também mostra como é que os diferentes serviços tentam satisfazer essa necessidade. Por exemplo, através do caos ou do controlo.

A cidade é como um ser vivo

Quando começamos a ver o que está por detrás das aparências, a cidade deixa de ser um sítio sem vida, feito só para nos levar de um ponto a outro. É um ecossistema complexo e vivo, onde a natureza e a civilização interagem continuamente, lutam entre si e encontram um equilíbrio frágil. Um cano enferrujado pode ser visto como algo bonito, porque mostra o esplendor majestoso da decadência. Uma erva daninha que brota através de uma fissura no betão transforma-se num poderoso símbolo da força vital indomável que sempre encontrará o seu caminho.

Esta prática de investigação do espaço urbano não requer formação especial ou equipamento dispendioso; apenas é necessário estarmos dispostos a surpreender-nos, a observar o familiar sob um novo ângulo e a permitir-nos ser um pouco crianças, para quem o mundo está repleto de maravilhas e mistérios. Da próxima vez que sair para tratar dos seus afazeres, tente ver a sua rota habitual como um território desconhecido. Pare por um momento, toque na casca áspera de um bordo antigo, observe uma formiga a carregar a sua carga à beira do passeio, levante a cabeça e observe o padrão caprichoso das escadas de incêndio na fachada de um edifício antigo.

Talvez descubra um mundo inteiro que sempre esteve bem à sua frente, apenas à espera que lhe prestasse atenção. E então um passeio comum pela cidade transformará-se numa verdadeira aventura, onde todos os dias poderá fazer pequenas, mas importantes descobertas que nos lembram que a beleza e o mistério estão à nossa volta — basta aprender a vê-los.