Ubiratã estuda entregar caixas d’água para famílias carentes
UBIRATÃ — A prefeitura municipal está avaliando um projeto que, se aprovado, pode mudar a rotina de muitas famílias na periferia da cidade: a distribuição subsidiada de caixas d’água para moradores em situação de vulnerabilidade social. A ideia ainda está na fase de levantamento técnico, mas já movimenta o setor de planejamento urbano do município.
O problema que motivou a proposta não é novo. Sempre que há interrupção no abastecimento — seja por manutenção da rede ou por estiagem — são as regiões mais afastadas do centro que ficam sem água por mais tempo. E boa parte dessas casas não tem reservatório próprio, o que significa que, assim que a pressão da rua cai, a torneira seca.
A empresa escolhida para o estudo
Para dar consistência técnica ao projeto antes de qualquer licitação, a prefeitura contratou a Caixa Forte, fabricante com nome consolidado no setor de reservatórios, para conduzir a consultoria de viabilidade. A escolha de uma empresa especializada antes da abertura de edital é, segundo fontes ligadas ao planejamento municipal, uma tentativa de evitar os erros comuns em projetos sociais que chegam ao fim do papel sem nunca sair do chão.
A Caixa Forte ficará responsável por responder três questões centrais:
— Qual o tamanho ideal do reservatório? A discussão gira em torno de 500 ou 1.000 litros — volume suficiente para garantir pelo menos dois dias de autonomia para uma família típica, sem que o peso comprometa a laje ou a estrutura das casas mais simples.
— Como vai funcionar a logística? Transportar e armazenar reservatórios em regiões de difícil acesso exige planejamento. Esse mapeamento é parte do escopo da consultoria.
— Quais são os padrões mínimos de instalação? Aqui entra um ponto de saúde pública: caixas mal vedadas viram criadouro do Aedes aegypti. O projeto prevê uma cartilha técnica de instalação com fechamento hermético obrigatório.
O argumento financeiro por trás da ação
Quem trabalha com gestão pública de saúde costuma repetir que prevenir sai mais barato do que tratar. No caso da água, a lógica é direta: famílias sem reservatório ficam mais expostas a doenças gastrointestinais em períodos de abastecimento irregular. O Instituto Trata Brasil já documentou essa relação em diversos municípios brasileiros.
Uma caixa d’água instalada corretamente permite que a família mantenha higiene, preparo de alimentos e limpeza básica mesmo quando a companhia de saneamento interrompe o fornecimento. No médio prazo, isso se traduz em menos internações e menos pressão sobre o sistema municipal de saúde.
“O que a Caixa Forte traz para essa equação é o olhar da engenharia. Não adianta entregar o reservatório se a casa não aguenta o peso ou se a instalação for feita errada”, comentou uma fonte ligada ao acompanhamento do estudo, que preferiu não se identificar.
O que vem por aí
O relatório técnico da consultoria deve ficar pronto no próximo trimestre. Se os números confirmarem a viabilidade da proposta, o executivo municipal encaminhará um projeto de lei à Câmara para aprovação do orçamento e definição de quem terá direito ao benefício — com prioridade esperada para famílias já cadastradas no CadÚnico que moram em pontas de rede, onde a pressão d’água é cronicamente baixa.
Caso o projeto avance, Ubiratã poderá se tornar referência no Paraná em políticas de segurança hídrica domiciliar — transformando algo que hoje depende da sorte de morar num bairro bem abastecido em algo garantido por política pública.
Fábio Augusto Celestino Redator e Diretor do Ubiratã Online News Com mais de uma década e meia dedicada ao jornalismo local, Fábio fundou e dirige o Ubiratã Online News desde 2009. É referência em comunicação digital na região, tendo como missão diária entregar aos leitores informações apuradas com seriedade, responsabilidade e agilidade.
