O primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, afirmou nesta sexta-feira (15) que não recomendaria a seus filhos viver ou estudar nos Estados Unidos neste momento. Como justificativa para a declaração, ele citou um clima social em rápida mudança e oportunidades limitadas até mesmo para pessoas altamente qualificadas no país americano.
As declarações evidenciam as tensões entre os Estados Unidos e seus aliados europeus sob o governo do presidente Donald Trump, com disputas comerciais, a guerra na Ucrânia e agora o conflito com o Irã pressionando a aliança da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
No mês passado, Merz afirmou que os Estados Unidos estavam sendo humilhados na guerra contra o Irã, irritando Trump. Dias depois, Washington anunciou retirada parcial de tropas da Alemanha e aumento de tarifas sobre automóveis da União Europeia, setor em que a Alemanha é particularmente forte.
Falando a um público jovem durante uma convenção católica em Würzburg, o premiê afirmou que as pessoas estão excessivamente inclinadas a pensar em “modo desastre” sobre a situação do mundo e pediu que os alemães sejam mais otimistas em relação ao potencial de seu próprio país.
“Acredito firmemente que há poucos países no mundo que oferecem tantas oportunidades, especialmente para os jovens, quanto a Alemanha”, afirmou.
“Eu não recomendaria que meus filhos fossem hoje para os Estados Unidos estudar e trabalhar lá, simplesmente porque um clima social se desenvolveu repentinamente naquele país”, disse Merz, pai de três filhos e de 70 anos.
“Hoje, até as pessoas mais bem qualificadas da América têm grande dificuldade para encontrar emprego.”
Merz assumiu o cargo em 2025 como um autodeclarado defensor do “transatlanticismo”, mas desde então passou a criticar o mais poderoso aliado da Alemanha. Trump, por sua vez, afirmou que Merz deveria se concentrar em consertar seu próprio “país quebrado”.
“Sou um grande admirador da América”, disse Merz ao público. “Mas minha admiração não está crescendo neste momento”, acrescentou, sob risos e aplausos.
“Boa conversa com Trump”
Também nesta sexta-feira, Merz declarou, em publicação nas redes sociais, que teve “uma boa conversa por telefone com o presidente Donald Trump durante seu retorno da China”.
Segundo o premiê alemão, eles concordaram que “o Irã precisa voltar agora à mesa de negociações. Precisa reabrir o Estreito de Ormuz. Não se pode permitir que Teerã tenha armas nucleares”, escreveu em post no X.
“Também discutimos uma solução pacífica para a Ucrânia e coordenamos nossas posições antes da cúpula da Otan em Ancara. Os Estados Unidos e a Alemanha são parceiros fortes em uma Otan forte”, concluiu Merz na postagem.