Após a desistência da corrida presidencial e de perder o apoio de PL e Novo, o governador Ratinho Junior (PSD-PR) passou a articular a reorganização do grupo político no estado para as eleições de 2026. Além da construção de uma coligação partidária encabeçada pelo PSD para a corrida à sucessão (nome ainda a ser anunciado), o governador paranaense costura alianças ao Senado e à Câmara dos Deputados, com o objetivo de manter a representação do seu grupo político no Congresso Nacional.

Segundo apuração da Gazeta do Povo, o secretário-chefe da Casa Civil no estado, João Carlos Ortega, se reuniu com os deputados estaduais do PSD para um almoço na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), na quarta-feira (24/03), logo após o pré-candidato ao governo Sergio Moro se filiar ao PL com o apoio do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

De acordo com um dos parlamentares do PSD que participou da reunião para discutir a formação da chapa estadual, o governador deve assumir a coordenação eleitoral no estado e não descarta a possibilidade de se licenciar do cargo às vésperas da campanha para participar de forma mais ativa. O objetivo é “colar” a imagem dele ao escolhido na tentativa de transformar a alta aprovação popular da administração estadual em votos na corrida pelo Palácio Iguaçu, sede do Executivo paranaense.

Com o avanço de Moro, a estratégia de Ratinho Junior foi de unificação do partido para evitar saídas de nomes relevantes e, consequentemente, a divisão do grupo político em diferentes candidaturas, o que teria como efeito colateral beneficiar o ex-juiz da Lava Jato na disputa.

Alexandre Curi deve permanecer no PSD e disputar o Senado, apontam bastidores

Um dos participantes do encontro disse à reportagem da Gazeta do Povo que o presidente da Alep, Alexandre Curi (PSD-PR), sinalizou que deve permanecer no partido. Curi é pré-candidato ao governo do Paraná e articulava a migração do PSD para o Republicanos durante este período de janela partidária — que vai até o início de abril — por conta da possibilidade de que o secretário das Cidades de Ratinho Junior, Guto Silva, fosse o escolhido como pré-candidato pelo governador.

No entanto, a informação de bastidor que correu na tarde desta quarta-feira (25/03) é de que Curi teria optado por disputar o Senado. A informação, no entanto, não foi confirmada por pessoas próximas a Curi, que tampouco confirmou publicamente essa decisão.

Outro pré-candidato na disputa, dentro do grupo de Ratinho Junior, o secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável e ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca confirmou a filiação ao MDB na última quinta-feira (19/03). Mesmo assim, o PSD deve buscar o apoio do ex-correligionário para fortalecer a coligação estadual, com a continuidade do MDB na base governista.

Além disso, o PSD irá intensificar as conversas com as principais siglas de centro-direita que integram a gestão Ratinho Junior, entre elas Podemos, Republicanos e a federação União Progressista, para manter o partido governista no centro da política paranaense. A federação União Progressista também é cortejada pelo PL, mas a definição sobre o rumo eleitoral ainda depende da nomeação do novo presidente estadual do União Brasil, que era dirigido por Moro no Paraná.

Por se tratar de uma federação, as decisões são tomadas em conjunto com o Progressistas. A presidente paranaense do PP, a deputada estadual Maria Victoria, responde que as coligações e possibilidade de candidaturas próprias serão discutidas até as convenções partidárias em julho.

Pré-candidatura de Guto Silva derrete e Pimentel resiste a ser o escolhido

Durante o encontro com os deputados estaduais, Ortega teria confirmado que Ratinho Junior deve lançar o nome do pré-candidato escolhido no início da próxima semana. O pré-candidato ao Senado pelo PSD deve ser anunciado na mesma ocasião.

Além de Guto Silva e Curi, o nome do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, (PSD-PR) entrou no xadrez político eleitoral de 2026 e Ratinho Junior pode mexer essa peça para o posto principal da chapa que vai disputar a sucessão.

Segundo apuração da Gazeta do Povo, o nome de Guto Silva perdeu força nas últimas semanas, após a aliança Moro-Flávio Bolsonaro, apesar da preferência pessoal de Ratinho Junior pelo nome dele. Assim, Pimentel surge como uma alternativa da alta cúpula do PSD paranaense, que aposta no desempenho eleitoral do prefeito nas urnas da capital, aliado ao apoio político de prefeitos do interior, onde o partido comanda cerca de 190 cidades.

Se for escolhido, o chefe do Executivo curitibano ainda contaria com o apoio de Curi pela proximidade política da dupla, além do vínculo familiar. O presidente da Alep também é conhecido pela grande influência entre os prefeitos paranaenses, o que poderia colocar o aliado em evidência no interior.

Quem resiste ao nome de Pimentel é ele mesmo, que nega a possibilidade publicamente. Depois de ser vice-prefeito durante o mandato de Greca em Curitiba, Pimentel assumiu a cadeira em janeiro do ano passado, após vencer a eleição municipal em 2024.

A manobra é considerada complexa por aliados do PSD e envolve o vice-prefeito Paulo Martins (Novo-PR) no cálculo político. Com a aliança firmada entre Moro e o PL, Martins perdeu espaço para ser candidato ao governo pelo Novo e passou a ser alvo de sondagens de outros partidos, conforme um interlocutor do vice-prefeito.

Apoio de prefeitos do PL abre novo round entre Ratinho Junior e Moro

Após entrar em conflito com a direção do partido por causa da filiação de Moro, o deputado federal Fernando Giacobo deixará o PL após mais de uma década no comando da sigla no Paraná. No entanto, a disputa entre Giaboco e a direção do PL deve continuar na corrida pela adesão dos prefeitos eleitos pelo partido nas eleições de outubro.

O deputado federal dissidente aposta na sua liderança histórica no PL para levar prefeitos para a nova sigla, que ainda não foi divulgada pelo parlamentar, antigo aliado de Ratinho Junior. Na quarta-feira (25/03), ele se reuniu com o governador do Paraná para confirmar o apoio político ao candidato do grupo político.

Nesta quinta-feira (26/03), Giacobo promoveu um evento com prefeitos na cidade de Curitiba para oficializar a saída do PL e comunicar os planos políticos de apoio ao nome escolhido por Ratinho Junior para o governo do estado.

O partido tem mais 50 prefeitos no estado e o cálculo de aliados do ex-presidente estadual do PL é que ele poderia levar entre 30 e 40 novos filiados entre prefeitos, vices e vereadores, ampliando a força de Ratinho Junior no interior do estado. Do lado do PL, o deputado Filipe Barros e Moro trabalham para conter uma eventual debandada.

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