O abastecimento de água de Curitiba e Região Metropolitana (RMC) vai ganhar um reforço a partir deste ano. A primeira etapa de enchimento do Reservatório Miringuava já está em andamento, com a comporta principal fechada e a água represada sendo utilizada na Estação de Tratamento de Água (ETA) Miringuava.
A nova represa será destinada para o Sistema de Abastecimento Integrado de Curitiba (SAIC), que atualmente é composto pelos reservatórios Iraí, Passaúna, Piraquara I e Piraquara II. Com a adição do Miringuava, o sistema ganhará aumento de 25% na capacidade de reservação, enquanto a ETA Miringuava dobrará a capacidade de tratamento, passando de 1.000 para 2.000 litros de água por segundo.
Erguida em São José dos Pinhais, na RMC, a estrutura tem capacidade para armazenar 38,2 bilhões de litros de água. O reservatório beneficiará 650 mil pessoas e foi projetado para acompanhar o crescimento da demanda hídrica da região. Além disso, a barragem fortalece o sistema que abastece 3,5 milhões de habitantes da região metropolitana, especialmente os bairros Caximba, CIC, Ganchinho, Tatuquara, Umbará e Sítio Cercado, em Curitiba, além das cidades de Araucária, Fazenda Rio Grande e São José dos Pinhais.
Dimensões do Reservatório Miringuava
O reservatório tem:
- Altura de 24 metros, a mesma de um prédio de oito andares, e 309 metros de extensão.
- A área a ser alagada é de 4,3 milhões m², o equivalente a 602 campos de futebol.
- Capacidade de reservação será de 38,2 bilhões de litros, o que corresponde a 15.280 piscinas olímpicas.
- Para compensar o espaço utilizado pela barragem, a Sanepar criou um corredor de biodiversidade de 7 milhões m², uma área 62,6% superior ao que está sendo utilizado para reservação de água.
- O vertedor da barragem tem 5 metros de diâmetro, 20,80 metros de altura e capacidade de extravasar 178 mil litros de água por segundo, no caso da ocorrência da maior cheia provável na bacia de contribuição da barragem.
O Reservatório Miringuava é alimentado pelo Rio Miringuava e seus afluentes. O processo de enchimento acontece gradualmente, em etapas que dependem do volume de chuvas. O fechamento da primeira comporta visa o acúmulo de água no nível mais profundo da barragem.
Todas as fases são monitoradas, com testes operacionais e controle preciso para garantir a segurança da estrutura e da região ao redor, mantendo o controle do nível do rio e assegurando que o reservatório encha conforme as vazões e volumes previstos.
Represa deve levar nove meses para encher
Com um regime fluvial dentro do esperado, estima-se que a represa leve no mínimo nove meses para estar completamente cheia. No entanto, a água já está sendo utilizada para fortalecer o sistema de abastecimento, sem necessidade de aguardar o enchimento total.
O projeto do Reservatório Miringuava teve início com estudos detalhados para definição do local, elaboração de relatórios, diagnósticos e projeções dos impactos socioambientais. Foram criados programas e planos para gerenciar e mitigar os impactos do empreendimento em todas as fases.
O contrato da segunda fase, que incluía a preparação do reservatório e estradas, foi assinado em 2021, mas permaneceu suspenso até 2023 devido à falta de liberação para supressão vegetal.
Em dezembro de 2024, após obter a anuência dos órgãos ambientais, as obras desta etapa foram iniciadas. A conclusão ocorreu no final de 2025 e, com a autorização do Instituto Água e Terra (IAT) para iniciar as operações de enchimento, a Sanepar fechou a primeira comporta no último dia de 2025.



