A um dia do fim do verão, o Rio de Janeiro volta a entrar em um padrão de instabilidade, com previsão de aumento da chuva e risco de temporais em diferentes regiões do estado, informou o Climatempo. Após um início de semana de tempo firme, a mudança ocorre em meio à combinação de calor e alta umidade, reforçada pela atuação de um sistema atmosférico que favorece a formação de nuvens. Além disso, a influência do mar também ajuda a deixar o tempo mais instável, principalmente nas áreas litorâneas.

Desde quarta-feira, a possibilidade de chuva no estado retornou de forma gradual, inicialmente com pancadas isoladas. No entanto, nesta quinta-feira estão previstas chuvas de moderadas a forte no interior, Sul fluminense e na Região Serrana. Há, inclusive, possibilidade de temporais, especialmente no Extremo-Sul do estado. Já na Região Metropolitana, o dia ainda deve ter períodos de tempo aberto, com chance de chuva fraca e pontual.

Na sexta-feira, o avanço das instabilidades aumenta o risco de temporais em todo o estado — e promete tornar literal os versos de Tom Jobim, das “águas de março fechando [de fato] o verão”. A chuva pode ocorrer com forte intensidade, acompanhada de rajadas de vento, e há previsão de acumulados elevados, em especial no interior, na Serra e no Sul fluminense. Na capital, as pancadas devem se espalhar ao longo do dia, com momentos de intensidade moderada a forte.

Verão chuvoso, dentro do padrão

Ao analisar os dados de precipitação do trimestre entre dezembro e fevereiro do Instituto Nacional de Meteorologia, a meteorologista Andrea Ramos afirma que a percepção de um verão chuvoso no estado se confirma nos números. Segundo ela, apenas a Região Serrana e o Centro-Sul fluminense registraram volumes abaixo da média esperada.

Ainda assim, a atuação frequente da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), caracterizada por uma faixa persistente de nuvens e umidade que se estende da Amazônia ao Sudeste, e a passagem de frentes frias garantiram uma sequência de dias com precipitações em volume significativo até mesmo nessas áreas.

— Todas as características do verão foram mantidas, como a umidade e a instabilidades em alto nível, graças a uma La Niña fraca, que não influenciou na região. Isso se difere dos últimos três anos — explicou Andrea.

Outono começa quente e chuvoso

Marcado por uma tendência de neutralidade climática, o outono no estado deve apresentar comportamento típico de uma estação de transição, sem padrões rígidos. Nos primeiros meses, especialmente entre abril e maio, ainda predominam condições próximas às do verão, com temperaturas elevadas e ocorrência de pancadas de chuva.

— Como é uma estação de transição, ela não é muito bem definida. O mês de abril e o início de maio ainda lembram o verão. Depois, a estação passa a ter características mais próximas do inverno, com tempo mais seco, queda de temperatura e entrada de massas de ar frio — disse Andrea.

Na segunda metade do período, de acordo com a especialista, além da redução gradual das chuvas, o avanço de massas de ar frio passa a influenciar mais diretamente o tempo. Já no horizonte climático mais amplo, há sinalização de formação de um El Niño a partir do inverno, inicialmente fraco e com tendência de intensificação ao longo do segundo semestre, o que pode favorecer temperaturas mais altas e manter condições para chuva no Sudeste.

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