Série Barracões SP: Exaltando Os Anti-heróis, Tucuruvi Promete Emoção Para 2026

Após um 2025 marcado por desafios e pela queda de divisão, o Acadêmicos do Tucuruvi aposta em um enredo autoral e reflexivo para o próximo Carnaval. Com o conceito de “anti-herói”, a escola propõe uma narrativa sobre dualidade, identidade brasileira e resistência, reforçando o diálogo entre comunidade e proposta artística.

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Desenvolvido pelo carnavalesco Nicolas Gonçalves em parceria com o enredista Clayton, o projeto mergulha em referências da literatura, da cultura popular e da ancestralidade para construir um desfile dividido em três setores. A ideia é provocar reflexão sem abrir mão da emoção, característica marcante da agremiação da Zona Norte.

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Com o enredo “Anti-Herói Brasil”, a escola será a terceira a desfilar no domingo de Carnaval.

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O CARNAVALESCO visitou o barracão da escola e conversou com Nicolas sobre o desenvolvimento do enredo.

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O conceito do tema

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“Nós, carnavalescos, sempre temos uma gaveta cheia de ideias esperando para acontecer, e foi assim que surgiu. Com tudo o que passamos em 2025, eu lembrei desse enredo que eu tinha. Não estava desenvolvido, mas eu gostava muito do termo anti-herói. Achava interessante essa relação, essa dubiedade, esse meio caminho entre o herói e o vilão, mas de um jeito abrasileirado. Enfim, me debrucei sobre isso.

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Quando sentei com o Rodrigo para renovar e continuar na escola, conversamos muito sobre o que passamos e sobre o que queríamos. Ele me disse que não queria apagar o que vivemos, não queria passar uma borracha. Tudo é aprendizado, mas também não podemos ficar na dor, nos diminuir ou entristecer a ponto de não fazer acontecer.

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E acho que foi esse sentimento que senti na comunidade: estamos tristes, mas com sangue nos olhos para mostrar que não merecíamos cair. Percebi que isso dialogava muito com o anti-heroísmo — quase virou o subtítulo do enredo: ‘Nossa jornada não é perfeita, mas o propósito é legítimo’. O anti-herói tem essa questão”, contou.

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A dificuldade do desenvolvimento

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“Eu tive a felicidade de receber o Clayton como enredista este ano. Foram umas três semanas mergulhados nisso. É muito gostoso fazer um enredo abstrato, porque permite mais liberdade para guiar os caminhos da pesquisa. Dificuldade mesmo não tivemos.

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O mais complicado foi fazer o recorte, porque é um enredo muito aberto. Existem muitos anti-heróis — e todos nós somos. A conclusão é essa. Então, como recortar e enquadrar isso em três carros e tantas alas? A dificuldade foi entender como passar a mensagem sem esquecer ninguém.

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Mas a pesquisa foi muito interessante. Tivemos carinho, esmero e delicadeza, porque é um enredo sensível, que pode cair em preconceitos ou generalizações. Acho que tivemos o tato de construir uma narrativa interessante, que estou doido para que as pessoas vejam”, falou.

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A comunidade com o enredo

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“Não foram receptivos de imediato, assim como não foram com Ifá e com Assojaba, porque são enredos complexos. Hoje vemos muitos enredos indo para caminhos mais panfletários, de fácil identificação. E senti que o Tucuruvi faz o caminho contrário.

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Quando trouxemos Ifá, houve resistência — inclusive com o samba, pelas palavras em iorubá. Existe essa resistência porque não é fácil. Mas aí surgiu o diferencial: a comunidade começou a parar, estudar, entender, pesquisar. Isso foi se construindo.

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Em Assojaba aconteceu o mesmo, com termos em tupi e uma narrativa densa. E foi muito bonito ver as pessoas se aproximando do enredo.

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Para mim não tem coisa mais divertida do que alguém chegar e comentar sobre a pesquisa, sobre o que descobriu. É esse casamento entre comunidade e enredo. O anti-herói não foi diferente.

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São enredos complexos, mas complexidades que fazem bem para a comunidade, que ajudam a construir uma escola que estuda, que se aprofunda — sempre com alegria e samba. Tenho certeza de que será assim novamente”, afirmou.

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O enredo em setores

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“A gente divide a escola em três setores.

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Na abertura falamos da ancestralidade e trazemos o ensinamento de Baquetá, o senhor da terceira cabaça, para explicar o espírito anti-heróico.

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Um itã conta que Exu recebe duas cabaças: uma com o bem e outra com o mal. Ele pede uma terceira e mistura os conteúdos. Assim, bem e mal passam a coexistir em equilíbrio. Esse é o espírito anti-heróico: entender essa dualidade.

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A partir daí, vamos aos anti-heróis já registrados. Fazemos o mesmo movimento de escritores brasileiros que, para falar do país, precisaram olhar para o povo real.

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Trazemos personagens da literatura e do cinema que refletem o brasileiro, como Chicó e João Grilo, de O Auto da Compadecida, e Macunaíma, grande anti-herói da nossa literatura. Esse é o segundo setor.

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No terceiro, somos mais explícitos: os anti-heróis do cotidiano — pessoas que vivem às margens e nem sempre são vistas.

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A ideia é coroar essas pessoas, dar visibilidade e encerrar com essa premiação simbólica. Esse é o anti-herói Brasil, o anti-herói Tucuruvi”, explicou.

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O ponto alto do desfile

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“É difícil responder — é como pedir para um pai escolher o filho favorito.

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Abrimos com grandiosidade, apostando em materiais diferenciados, como fizemos em Assojaba. Também teremos um carro com crítica forte, como o de Dom Pedro no ano passado. Acho essencial a escola provocar reflexão.

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E fechamos com emoção — Tucuruvi é uma escola que se emociona na Avenida.

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Se eu pudesse destacar algo, seria isso: vamos falar de anti-heróis, mas estaremos falando do Tucuruvi. O ponto alto não será uma alegoria específica, mas a emoção como um todo”, disse.

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As cores e os materiais na passarela

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“No ano passado pensamos muito na colorimetria. Fizemos uma abertura azul com neon. Este ano, novamente, pensei numa paleta diferenciada.

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Gosto muito da abertura: usamos páginas de livros — páginas que escrevem história — impregnadas na cenografia. Será uma abertura com muito branco da folha, mas com escrita.

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Também trabalhamos o preto e branco da dualidade de Exu e da terceira cabaça. Brincamos bastante com essas cores”, explicou.

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Para a comunidade

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“Quero deixar um recado para a comunidade: agradecer por acreditarem no meu trabalho e nessa ousadia.

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A gente precisa assumir esse papel diferente — algo que antes até gerava bullying, mas hoje nos fortalece.

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Não tenham medo de ousar, de ser felizes. Contem com a gente para corrigir os erros técnicos e fazer um carnaval bonito, colhendo o que merecemos. Contem comigo, porque eu conto com vocês”, finalizou.

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Ficha técnica

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Alegorias: 3

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Alas: 19

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Diretor de barracão: Jonatas Ramos

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