Trump diz que 'vigia' Irã e confirma ida de frota ao Golfo; comandante da Guarda Revolucionária responde: 'dedo no gatilho'

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quinta-feira, pela primeira vez, que "está enviando uma grande força" da Marinha americana ao Golfo Pérsico para monitorar o Irã "de perto". Em resposta, o comandante da Guarda Revolucionária, general Mohammad Pakpour, alertou "erros de cálculo" e afirmou que a força estava "com o dedo no gatilho". As declarações acontecem uma semana depois de a imprensa americana revelar o deslocamento do porta-aviões USS Abraham Lincoln e seu grupo de ataque, que saíram do Mar da China Meridional em direção ao Oriente Médio. Trump ameaçou reiteradamente um ataque ao país em resposta à repressão do regime contra a onda de protestos, mas recuou após afirmar que Teerã havia suspendido as execuções de manifestantes.

Read more
  • Contexto: EUA enviam mais ativos militares ao Oriente Médio e reforçam presença perto do Irã, apesar do recuo retórico de Trump
  • Veja: Chefe da Guarda Revolucionária diz que Irã está 'com dedo no gatilho' e alerta EUA sobre 'erros de cálculo'
Read more

— Temos uma grande armada indo naquela direção e veremos o que acontece. É uma grande força indo em direção ao Irã — disse Trump a bordo do Air Force One, que o levava de Davos, na Suíça, onde aconteceu o Fórum Econômico Mundial, para Washington.

Read more

Além do porta-aviões e seu grupo de ataque, que inclui destróieres, caças e aeronaves de interferência eletrônica, os EUA enviaram 10 aviões de reabastecimento aéreo KC-135 para a Europa, rumo a bases no Oriente Médio. Washington, de fato, insiste com a mobilização militar na região. Segundo o jornal americano Wall Street Journal (WSJ), o presidente americano considera os ativos navais "decisivos".

Read more

— Eles sabem que temos muitos navios indo naquela direção por precaução. Preferiria que nada acontecesse, mas estamos acompanhando a situação de perto — acrescentou o presidente, reiterando que sua ameaça de usar a força contra havia levado a República Islâmica a suspender 837 execuções de manifestantes.

Read more

Outro comandante militar iraniano, o general Ali Abdollahi Aliabadi, alertou que, caso EUA ataquem, "todos os interesses, bases e centros de influência americanos" seriam "alvos legítimos" para as forças armadas iranianas.

Read more

Essa mobilização militar levou assessores do Pentágono e da Casa Branca a aprimorarem um conjunto de opções para Trump, incluindo algumas que visam derrubar o regime iraniano. Autoridades, ainda de acordo com o WSJ, também estão elaborando opções mais moderadas, que poderiam incluir ataques a instalações da Guarda Revolucionária Islâmica.

Read more

As tensões entre os dois países, inimigos desde a revolução de 1979 que levou o clero xiita ao poder, permanecem muito elevadas. Trump, no entanto, não fechou as portas para o diálogo.

Read more

— O Irã quer conversar e nós conversaremos — declarou Trump às margens do Fórum Econômico Mundial.

Read more
  • 'Regime silencia e mata': Sem contato com a família após apagão de internet, iraniana revive trauma da repressão em protestos
Read more

Com o anúncio da frota americana em direção ao Golfo, o comandante da Guarda Revolucionária, por sua vez, jogou lenha na fogueira.

Read more
Read more

— [Estamos] mais preparados do que nunca, prontos para cumprir as ordens e medidas do líder supremo — alertou o general, referindo-se ao aiatolá Ali Khamenei, que o nomeou em junho para suceder Hossein Salami, morto em bombardeios israelenses.

Read more

A 'precaução' de Washington

Na região, os EUA têm oito bases permanentes e cerca de 12 instalações militares. E, para o governo Trump, elas precisam ser defendidas de uma possível retaliação de Teerã, como ameaçou o presidente do Parlamento iraniano no último dia 11, caso Trump ordene um ataque. Três dias depois da ameaça, alguns militares americanos e britânicos destacados em al-Udeid, no Catar, na maior base dos EUA no Oriente Médio, receberam ordens para deixar o local.

Read more

Mas, segundo o WSJ, sistemas de defesa de médio alcance Patriot e de alta altitude Thaad já foram preparados para repelir qualquer contra-ataque iraniano, como aconteceu em junho do ano passado, durante a guerra de 12 dias entre Tel Aviv, Teerã e Washington.

Read more

Uma campanha aérea de maior escala no Irã, ainda de acordo com o WSJ, tenderia a empregar meios furtivos como F-35, bombardeiros B-2 e submarinos lançadores de mísseis de cruzeiro — sistemas usados no ataque americano de junho do ano passado contra instalações nucleares iranianas —, embora não haja indícios de deslocamento desses ativos para o Oriente Médio.

Read more
Read more

Autoridades disseram que Israel expressou ao governo Trump preocupações especificamente sobre suas próprias defesas caso o Irã atacasse o país, após ter esgotado seu estoque de interceptores durante a guerra de 12 dias com o Irã no ano passado. Após esse conflito, os EUA deslocaram um grupo de ataque de porta-aviões e algumas defesas aéreas para fora da região, enquanto Trump voltava sua atenção para a Venezuela e o Hemisfério Ocidental.

Read more

Trump ainda não ordenou ataques contra o Irã, e sua decisão final permanece incerta. Mas as discussões em Washington mostram que Trump não descartou punir Teerã pelo assassinato de manifestantes. Na última terça-feira, quando foi perguntado se os EUA ainda poderiam atacar o Irã, Trump observou que o regime acatou os alertas de Washington e cancelou os planos de enforcar 837 pessoas na semana passada.

Read more

— Teremos que ver o que acontece com o Irã — afirmo o presidente, na ocasião.

Read more

O conselheiro de segurança nacional e secretário de Estado, Marco Rubio, conversou na segunda-feira sobre o Irã com o ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita , príncipe Faisal bin Farhan Al Saud , cujo apoio seria necessário em uma campanha aérea contra o Irã.

Read more
  • Escalada de repressão: Regime iraniano endurece resposta a protestos com prisões e confisco de bens
Read more

A Casa Branca também precisa lidar com a questão de se o governo está preparado para realizar uma campanha militar prolongada que pode durar semanas ou meses, caso os manifestantes no Irã voltem às ruas e peçam proteção a Trump. Na última quarta-feira, as autoridades iranianas relataram 3.117 mortes, em seu primeiro balanço de vítimas durante os protestos. No entanto, grupos de direitos humanos afirmam que o número real de mortos é maior.

Read more

Pressão financeira ou militar?

Alguns funcionários levantaram questões internas sobre o objetivo político de ataques ao Irã neste momento. Trump está ciente de que qualquer ação militar ocorreria muito depois de ele ter prometido aos manifestantes que "a ajuda está a caminho" e que provavelmente não seria tão rápida quanto a operação que depôs o ex-líder venezuelano Nicolás Maduro .

Read more
  • Entrevista: 'Se o Irã permanecer como está, é uma bomba-relógio', diz analista iraniana
Read more

Alguns assessores sugeriram o uso de meios não militares para repreender o Irã, como ajudar os manifestantes a coordenar ações online ou anunciar novas sanções contra o regime.

Read more

A pressão financeira dos EUA “funcionou porque, em dezembro, a economia deles entrou em colapso”, disse o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, na terça-feira, no Fórum Econômico Mundial, na Suíça.

Read more
Read more

— É por isso que as pessoas foram às ruas. Isso é estratégia econômica, sem confrontos armados, e as coisas estão caminhando de forma muito positiva por aqui — afirmou Bessent.

Read more

Source link

Read more

Did you like this story?

Please share by clicking this button!

Visit our site and see all other available articles!

Ubirata Online News – The truth within your reach