O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira, 13, por 54-45, a nomeação de Kevin Warsh para um mandato de quatro anos à frente da presidência do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), consolidando a troca de comando no BC dos EUA em um momento de forte escrutínio sobre a independência da instituição e de pressão da Casa Branca por juros mais baixos. O mandato de Jerome Powell termina na sexta-feira, 15, e Warsh deve presidir já a próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês), marcada para junho.
A confirmação de Warsh ocorre após o Senado já ter aprovado, na terça-feira, sua entrada no Conselho do Fed para um mandato de 14 anos como diretor. Com maioria republicana, o plenário acelerou o processo para garantir a transição antes do fim do mandato de Powell. O nome do ex-diretor do banco central havia sido aprovado pelo Comitê Bancário do Senado no fim de abril.
Indicado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em janeiro, Warsh chega ao comando do Fed cercado por questionamentos sobre o grau de autonomia diante da Casa Branca. Durante sua sabatina no Senado, o economista afirmou que a independência da política monetária é “essencial”, mas evitou criticar as reiteradas pressões públicas de Trump por cortes de juros. Também disse não acreditar que comentários de autoridades eleitas representem, por si só, ameaça relevante à independência operacional do Fed.
As declarações alimentaram críticas de ex-dirigentes da instituição. O ex-presidente do Fed de Boston Eric Rosengren avaliou que a audiência de confirmação reforçou dúvidas sobre a independência de Warsh em relação ao governo Trump e afirmou que o indicado não demonstrou disposição para divergir da administração republicana.
Ainda assim, parte do mercado interpretou o depoimento como relativamente hawkish. Em análise divulgada após a audiência, o Bank of America (BofA) afirmou que Warsh não apresentou argumentos convincentes para cortes de juros no curto prazo e sinalizou preferência por uma postura cautelosa diante da inflação. O banco destacou ainda críticas do indicado ao uso excessivo de “orientação futura” e sua defesa de mudanças na comunicação do Fed.
Warsh também tem defendido uma redução mais agressiva do balanço patrimonial do banco central, atualmente acima de US$ 6 trilhões. Antes mesmo da indicação, ele argumentou que o Fed deveria reduzir significativamente sua carteira de ativos e abandonar gradualmente a concentração em títulos longos do Tesouro americano. Analistas, porém, avaliam que qualquer movimento mais profundo dependerá de coordenação com o Tesouro e de apoio do restante do FOMC. Para a Fitch, a ação é arriscada e improvável de ser feita rapidamente.
No Conselho do Fed, como diretor, a chegada de Warsh ocorre na vaga anteriormente ocupada por Stephen Miran, também indicado por Trump, e cujo mandato terminou em janeiro. Considerado um dos dirigentes mais dovish da instituição, Miran vinha defendendo apoio monetário à economia e chegou a afirmar, em março, que o banco central poderia estar “perseguindo uma inflação fantasma”.
Powell, por sua vez, declarou no fim de abril que confia na capacidade de Warsh para construir um consenso dentro do Fed e afirmou esperar continuidade institucional na condução da política monetária, em sua última decisão monetária à frente do banco central. Ao mesmo tempo, reconheceu que a autoridade monetária ainda enfrenta riscos à sua autonomia. “Adoraria pensar que já passamos pela era de pressões sobre o Fed”, disse na ocasião. Apesar de deixar a presidência nesta sexta-feira, Powell continuará seu mandato como diretor do BC norte-americano.

