Em uma ação inédita, o Exército de Israel afirmou nesta terça-feira (9) ter realizado um ataque direcionado contra a alta liderança do Hamas no Qatar. Várias explosões foram ouvidas na capital, Doha.
Uma autoridade israelense confirmou à Reuters que o ataque teve como alvo dirigentes do grupo terrorista que participam das negociações indiretas para encerrar o conflito na Faixa Gaza. Ainda não há informações oficiais sobre vítimas ou sobre o impacto imediato nas conversas em andamento.
O ataque teria atingido alojamento dos membros do grupo terrorista que estavam envolvidos nas negociações de cessar-fogo, segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Majed Al Ansari.
O Qatar tem atuado como mediador para tentar encerrar a guerra que completa quase dois anos. Em um post nas redes sociais, Al Ansari chamou a ofensiva de “covarde” e “criminosa”.
Ele afirmou que o Catar “não tolerará esse comportamento irresponsável de Israel e a contínua desestabilização da segurança regional, nem qualquer ato que ameace sua segurança e soberania”. O país abriu uma investigação e disse que o ataque é uma “violação flagrante do direito internacional”.
O Qatar não mantém relações diplomáticas oficiais com Israel, mas era visto como um país amistoso no Oriente Médio —por isso, o governo de Binyamin Netanyahu aceitou que Doha fosse sede para as negociações indiretas de um acordo de cessar-fogo.
Com o ataque, esses esforços diplomáticos podem cair por terra. Além disso, poderia afetar a imagem qatari, que se apresenta como um lugar seguro para negócios e turismo em uma região de instabilidade política.
Segundo a emissora Al Jazeera, que citou um funcionário do Hamas, a delegação foi atingida durante uma reunião de negociação do cessar-fogo.De acordo com a mídia israelense, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria dado sinal verde a Israel.
Além disso, o ataque visava líderes importantes do Hamas, incluindo Khalil al-Hayya, chefe exilado de Gaza e principal negociador do grupo.
Em maio, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, havia prometido que al-Hayya seria morto.
Testemunhas da Reuters relataram ter ouvido várias explosões na capital do país e um morador afirmou ter visto fumaça subindo sobre o distrito de Katara.
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