Quando escrevi O Agente Secreto, inicialmente achava que eu estaria isolado lá em 1977, mas comecei a perceber que o filme, na verdade, falava muito sobre a lógica do Brasil em 2019, 2020, 2021 [sob a presidência de Jair Bolsonaro]. Que é exatamente uma lógica trazida do passado. Em plena democracia do século XXI, um grupo de políticos decidiu reeditar a iconografia, as palavras, o jeito, a lógica e a falta de ética de um regime militar.”

P: Como o filme foi recebido nos Estados Unidos, onde o presidente Donald Trump é criticado por ataques às liberdades e por sua política contra os imigrantes?

R: “A reação ao filme é fortíssima. Ele tem a capacidade de fazer com que muitas pessoas nos Estados Unidos contemporâneos se identifiquem com a sua história. Acho que a reação passa muito pelo momento histórico atual nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, há uma reação também muito emotiva.”

Onde deveria estar

P: Lula disse que O Agente Secreto é um filme essencial para evitar que a violência da ditadura caia no esquecimento. O cinema brasileiro tem um papel político importante hoje, neste sentido?

R: “Eu não tenho a obrigação de fazer filmes políticos, eu não vejo dessa forma. Se você faz um filme ou conta uma história de maneira honesta, franca e com conhecimento sobre o que está falando, provavelmente estará fazendo ou colaborando para uma compreensão melhor do país, da sociedade. Acho que meus filmes têm contribuído de alguma forma com o debate, mas eles não foram desenhados nem montados para isso.”

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