Na hora de investir em um tênis de corrida, aparência e preço costumam ser, na maioria das vezes, os critérios decisivos. É aí que mora o problema: escolher apenas pelo visual ou custo-benefício pode comprometer o conforto, a saúde e até o desempenho esportivo. Nesse sentido, segundo Rafael Temoteo, presidente da Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (Sonafe Brasil), é fundamental considerar critérios individuais antes da compra.

A seguir, confira os erros mais comuns na hora de comprar um tênis de corrida e o que observar para acertar na escolha!

1. Ignorar a anatomia do pé

Pés largos, estreitos, com dorso mais alto ou mais baixo exigem encaixes diferentes. Um tênis estreito em um pé largo pode gerar compressão, atrito e calos. Um modelo largo demais pode causar instabilidade. O ajuste correto é essencial para evitar desconfortos e problemas na pele.

2. Não considerar a biomecânica da corrida

A forma como o corredor aterrissa (antepé, mediopé ou retropé), a cadência e o padrão de movimento influenciam diretamente na escolha do modelo do tênis. Não se trata apenas de ser pronado ou supinado, mas de entender como o corpo se comporta durante a corrida.

3. Acreditar que existe “o melhor tênis do mercado”

Não existe um modelo ideal para todas as pessoas. A escolha deve respeitar o perfil do corredor: experiência, velocidade e características individuais. O que funciona para um atleta experiente pode não ser adequado para um iniciante.

4. Investir em um “supertênis” sem necessidade

Modelos com placa de carbono e tecnologias avançadas podem ser úteis para atletas que buscam performance em alta velocidade. Porém, para quem está começando ou corre em ritmo mais leve, eles não são indispensáveis. Nem sempre o tênis mais caro será o mais adequado.

5. Priorizar apenas o amortecimento

Não há evidências robustas de que o amortecimento, isoladamente, previna lesões. A absorção de impacto envolve também força muscular, coordenação e biomecânica. O tênis é apenas parte do conjunto.

O conforto e a adaptação do tênis ao pé devem ser prioridades (Imagem: Lazy_Bear | Shutterstock)

6. Escolher pelo tipo de pisada como critério absoluto

Antigamente, a classificação entre pronado e supinado era determinante. Hoje, as grandes marcas já não produzem tantos modelos de tênis específicos para isso. Em casos mais acentuados, pode ser necessária avaliação individual, mas esse não deve ser o único fator decisivo.

7. Desconsiderar o tipo de terreno

Tênis tradicionais são indicados para rua ou esteira. A corrida em trilha exige modelos específicos, com solado mais aderente e cabedal resistente às irregularidades e intempéries. Usar o modelo inadequado pode comprometer a estabilidade e segurança.

8. Esperar um ano fixo para trocar o tênis

A troca do tênis não deve seguir apenas o calendário. Em média, a durabilidade varia entre 700 e 800 km, mas isso depende do modelo, da intensidade de uso e até do tempo parado, já que a borracha pode ressecar. Desgaste irregular no solado e deformação da estrutura são sinais de alerta.

9. Cair em mitos: “mais macio” e “mais leve é melhor”

Um tênis muito macio pode apenas transmitir sensação de conforto, sem necessariamente absorver melhor o impacto. Modelos muito leves costumam ter menos componentes estruturais, exigindo mais da musculatura. Se o corredor não estiver preparado, o risco de lesão pode aumentar.

Fique atento aos sinais

Bolhas, calosidades, desgaste excessivo de um lado do solado e inclinação do calçado indicam que o modelo pode não estar adequado. Lesões também podem surgir, desde problemas na pele até tendinopatias, como no tendão de Aquiles, tibial posterior ou casos de fascite plantar.

A escolha do tênis ideal passa por conforto, ajuste correto e respeito às características individuais. Avaliação profissional pode fazer toda a diferença para correr com mais segurança e eficiência. Em caso de dúvidas sobre todos esses pontos, o ideal é acionar um fisioterapeuta esportivo para te acompanhar ao longo do processo.

Por Matheus Figueiredo

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