Com a guerra no Irã, o barril de petróleo subiu de US$ 70 para US$ 90. Os preços da gasolina e do óleo diesel nos postos vão subir?

Em vários países do mundo já subiu. Na Alemanha e na Coreia, há políticos sugerindo medidas para segurar a alta. No Canadá e na Austrália, consumidores já estão acostumados com o preço da gasolina nos postos respondendo às variações na cotação do petróleo.

No Brasil, deveria subir. O valor que pagamos pela gasolina e pelo diesel deveria aumentar. Explico.

O preço internacional do petróleo aumentou por causa do risco de forte retração na oferta nos próximos tempos. O Irã está bloqueando o estreito de Hormuz, por onde passam muitos navios carregados de petróleo. O preço mais alto é uma mensagem: precisamos consumir menos petróleo e buscar produzir energia por outros meios.

Quando a alta do petróleo chega ao posto, em forma de preços de combustível mais elevados, nós recebemos a mensagem. Fretes, corridas de Uber e o uso do automóvel ficam mais caros. Além disso, aprendemos que o preço da gasolina pode aumentar em 40% de um dia para o outro.

Isso tem um efeito (pequeno) nas nossas decisões no curto prazo e um efeito (maior) nas decisões no longo prazo. Por exemplo, o carro híbrido passa a ser mais atrativo para os consumidores, enquanto transportar produtos por rodovias fica menos interessante.

Essas mudanças são desejáveis. Se o barril de petróleo custa US$ 90 ou US$ 100, só vale a pena consumir seus derivados se estamos dispostos a pagar esse custo. Se há risco de súbitos aumentos no preço, nossas decisões sobre qual carro comprar e onde localizar as fábricas deve levar esse risco em conta.

Não importa para esse argumento se o petróleo é importado ou produzido nacionalmente.

Se o petróleo é importado, a pergunta é se vale a pena importar o produto ou usarmos o dinheiro para outra coisa. Se o petróleo é produzido no Brasil, a pergunta é se vale a pena consumi-lo ou exportá-lo. Em ambos os casos, a comparação correta é entre o valor que atribuímos ao produto e seu preço nos mercados internacionais.

Contudo, se o preço do petróleo não chega ao consumidor, você continuará queimando no seu carro a tal da gasolina como se o petróleo custasse US$ 70. Se a mensagem tivesse chegado, o consumo seria menor.

Esse consumo extra, que seria cortado se levássemos em conta o preço mais alto do petróleo, é um desperdício. Estamos gastando ou deixando de ganhar US$ 90 ou US$ 100 por algo pelo qual só estamos dispostos a pagar US$ 70.

Já escrevi diversas vezes nesta coluna que devemos tributar o que gera emissões de poluentes –incluindo o petróleo–, porque o custo da poluição não é naturalmente incluído nos preços dos produtos que poluem. Essa tributação faria consumidores levarem em conta esses custos.

Ao evitar que as pessoas paguem mais pela gasolina quando o petróleo está mais caro, fazemos justamente o contrário: matamos o mensageiro e deixamos que consumidores e empresas continuem tomando decisões sem considerar a escassez e os riscos de alta no preço do petróleo.


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