Após uma série de derrotas e desgastes na condução da delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, o advogado José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca, comunicou sua saída do caso nesta sexta-feira, 22.
Ainda não foi definido um nome para substituí-lo. Por enquanto, a defesa continua sob responsabilidade do advogado Sérgio Leonardo, que tem antiga relação de confiança com Vorcaro.
Juca foi responsável por confeccionar a primeira proposta de delação do dono do Master, que nesta semana foi rejeitada pela Polícia Federal (PF) e devolvida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para complementos da defesa.
A avaliação dos investigadores é que a proposta era insuficiente diante das provas já colhidas e protegia diversas pessoas contra quem a própria PF já tinha provas robustas. Com isso, a PF rejeitou a delação e encerrou a negociação, enquanto a PGR devolveu o acordo e pediu para que fosse complementado.
Juca também se envolveu em desgastes com o relator do caso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. O advogado teve uma discussão ríspida com o ministro nas últimas semanas. Depois que Mendonça citou que não homologaria a delação caso considerasse o acordo insuficiente de provas e devolução de recursos, Juca partiu para o embate e disse que recorreria para homologar a delação na Segunda Turma.
Com isso, André Mendonça cortou a interlocução com a defesa e parou de receber os advogados do banqueiro. Seu gabinete avisou à defesa que eles só poderiam se comunicar por meio de petições formais.
Também pesou na série de desgastes um encontro de Juca com o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Floriano de Azevedo, que é aliado próximo do ministro do STF Alexandre de Moraes. A foto do encontro foi revelada pelo Estadão. Juca se encontrou com Floriano um dia após a entrega da proposta de delação e eles chegaram a conversar sobre o assunto.
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