Depois de um 2025 marcado por oscilações intensas e recordes negativos, os dados mais recentes mostram que 2026 começou com nova alta nos casos de homicídio culposo (quando não é intencional) na direção de veículos em Cascavel — reacendendo o sinal de alerta.

O ano de 2024 já indicava instabilidade, com variações mensais entre 1 e 6 casos na maior parte do período. Destaques incluem 6 registros em abril, julho e novembro, enquanto meses como março e outubro tiveram apenas 1 ocorrência. Apesar das oscilações, não houve picos extremos.

Em 2025, porém, o cenário se agravou. Logo no primeiro trimestre, os números subiram de 3 casos em janeiro para 7 em março. O crescimento continuou até atingir 9 casos em maio e, posteriormente, o maior pico de toda a série: 11 casos em setembro de 2025. Ainda que alguns meses tenham registrado queda — como 0 caso em julho —, o ano consolidou um padrão de instabilidade com episódios críticos.

Já 2026 começa com um comportamento que preocupa. Apenas nos dois primeiros meses, foram registrados 7 casos em janeiro e 4 em fevereiro. O número de janeiro, sozinho, já se aproxima dos meses mais altos de 2024 e supera a maioria dos meses daquele ano. Mesmo fevereiro, com leve recuo, permanece acima de vários períodos considerados mais estáveis.

O comparativo direto mostra que:

  • Janeiro de 2026 (7 casos) foi mais que o dobro de janeiro de 2025 (3 casos)
  • Fevereiro de 2026 (4 casos) também supera fevereiro de 2025 (2 casos)
  • Em relação a 2024, os números atuais já estão no mesmo patamar dos meses mais críticos daquele ano

Além disso, chama atenção o fato de 2026 iniciar sem o “respiro” observado em alguns momentos de 2025, quando houve meses com zero ocorrência. Agora, o ano começa já em nível elevado, indicando que a redução observada anteriormente não se sustentou.

Comparativo por bairros

A distribuição dos casos revela concentração importante em áreas específicas da cidade, com destaque absoluto para o bairro Floresta, que acumula 18 ocorrências — número muito acima dos demais e que o coloca como principal ponto crítico no município.

Na sequência aparecem Coqueiral (4 casos) e Alto Alegre (5). Bairros como Brasmadeira registram 3 ocorrências, enquanto Esmeralda, Claudete, além de regiões próximas a rodovias como a BR-277, somam 1 caso cada.

Já no recorte mais recente de 2026, a zona rural lidera com 8 ocorrências, seguida por Santa Cruz (5), enquanto Centro e Floresta aparecem com 3 casos cada. Outros bairros, como Brasília (2), e Coqueiral, Cancelli e Periolo (1 caso cada), completam o cenário.

O cruzamento dessas informações mostra que:

  • O bairro Floresta se destaca historicamente como o principal polo de ocorrências
  • Em 2026, há avanço significativo dos casos na zona rural, indicando mudança no perfil geográfico
  • A presença recorrente de bairros reforça que o problema é amplo e distribuído

Na prática, o início de 2026 sugere uma tendência de retomada dos números elevados, após um 2025 que já havia sido crítico. Se o ritmo observado em janeiro e fevereiro se mantiver, o município pode enfrentar novamente meses com volumes semelhantes aos picos recentes.

A combinação de fiscalização mais intensa, campanhas educativas e mudanças de comportamento ao volante pode ser decisiva para evitar que 2026 repita — ou até supere — os índices mais altos registrados no ano anterior.

Veja abaixo a tabela completa desse tipo de crime nos anos anteriores:

Com informações da Secretaria de Segurança Pública do Estado com dados disponíveis até fevereiro de 2026.

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