Menos de 24 horas após perder a semifinal para a Itália, num jogo disputadíssimo que só foi decidido no tie-break, o Brasil voltou à quadra em Bancoc para enfrentar o Japão em busca da medalha de bronze no Mundial de Vôlei.

E um jogo que parecia que seria fechado tranquilamente pelo Brasil em três sets acabou ficando complicado.

Novamente a decisão foi para o tie-break, que o Brasil encerrou com 18 a 16.

O alívio da vitória após uma derrota muito sofrida no dia anterior estava explícito no rosto das jogadoras. Roberta e as duas Júlias do time, Bergmann e Kudiess, choraram bastante ao fim do jogo.

Falando ao SporTV sobre a noite mal dormida, a derrota da véspera e a vitória deste domingo (7), a levantadora Roberta disse que foi preciso um grande esforço. “A gente teve que virar a chave. Por mais que a cabeça quisesse ficar pensando na Itália, no que aconteceu ontem, a gente precisava pensar neste jogo. O foco tinha de ser o Japão.”

A virada de chave deu certo.

As brasileiras venceram com tranquilidade os dois primeiros sets (25/12 e 25/17), mas o Japão se recuperou no terceiro set e fez 25/19.

O Brasil começou muito bem o quarto set, abrindo 5 a 0. Mas novamente a equipe japonesa se recuperou e conseguiu fechar em 29 a 27.

Veio então novamente o tie-break.

O set decisivo foi disputado ponto a ponto, com nenhuma das equipes conseguindo abrir grande vantagem. O Japão chegou a ter dois match points, mas o Brasil conseguiu evitá-los.

A capitã Gabi, que marcou 35 pontos na partida e foi eleita a melhor ponteira do Mundial, falou sobre o jogo.

“O que a gente fez hoje foi indescritível. Por tudo o que a gente passou ontem [sábado, contra a Itália], as mais novas, principalmente, que não dormiram praticamente nada. A gente vir hoje pra cá, colocar a cabeça no lugar, colocar o coração, colocar a cara em jogo, é uma coisa que vai marcar minha carreira. Eu tô muito orgulhosa das meninas. O jogo no final ficou desfavorável pra gente, principalmente mentalmente, e a gente mostrou que consegue sim sair das dificuldades.”

Ela falou também sobre a campanha do time no campeonato. “Não poderíamos sair daqui sem uma medalha, pra coroar todo o nosso crescimento… Queríamos muito o lugar mais alto do pódio, mas não poderíamos sair sem pódio daqui.”

Gabi lembrou que, como algumas pessoas disseram, o jogo contra a Itália foi considerado uma espécie de final antecipada.

Logo depois, encontrou a lenda cubana Mireya Luis, ponteira que tanto trabalho deu ao Brasil nos anos 90.

Esta é a segunda vez que o Brasil fica em terceiro lugar no Mundial. Em 2014, o time conquistou a medalha de bronze ao vencer a Itália.

O país ainda não tem nenhum título. Ficou com o vice em 1994, diante da Cuba de Mireya Luis, em 2006 e 2010, contra a Rússia, e em 2022, contra a Sérvia.

O Japão tem três títulos do Mundial (1962, 1967 e 1974) e três vices (1960, 1970 e 1978).

Logo após a vitória do Brasil, a Itália venceu a Turquia, também no tie-break, e conquistou a medalha de ouro. É o segundo título do Mundial das italianas.

Assim ficou a seleção das melhores do Mundial:

Ponteiras – Gabi (Brasil) e Mayu Ishikawa (Japão)

Levantadora e melhor jogadora do campeonato – Alessia Orro (Itália)

Oposto – Melissa Vargas (Turquia)

Líbero – Monica De Gennaro (Itália)

Centrais – Eda Erdem (Turquia) e Anna Danesi (Itália)

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