O grupo francês Loxam acaba de anunciar um acordo para comprar o controle da Mills, a maior companhia brasileira de locação de máquinas e equipamentos.
O Grupo Loxam vai pagar R$ 16 por ação aos acionistas controladores – a família fundadora Nacht, o fundo de private equity Southern Cross Group (SCG) e a família argentina Oxenford, que era dona da Sullair comprada em 2019 – que juntos detêm 50,2% do capital.
O valor representa um prêmio de 22% em relação ao preço de tela, um equity value de R$ 3,8 bilhões – o maior valor da Mills na Bolsa desde 2014.
Com a aquisição do bloco de controle, a Loxam fica obrigada a lançar uma OPA para os minoritários nas mesmas condições. A transação precisa do aval do CADE.
O CEO Sergio Kariya disse ao Brazil Journal que a negociação começou há seis meses, e que a família fundadora sempre buscou um parceiro que perpetuasse o negócio com valores culturais alinhados aos seus.
“A família sempre teve essa preocupação de perpetuar a empresa com alguém que compartilhasse os mesmos valores, especialmente olhando para as pessoas e o meio ambiente,” disse Kariya.
A tese da Loxam é de que os negócios possuem grande complementaridade: enquanto a Mills oferece um portfólio de plataformas elevatórias, equipamentos pesados e soluções de intralogística, escoramento e forma, a Loxam atua no Brasil com equipamentos compactos, torres de iluminação e geração temporária de energia.
O Grupo Loxam é a maior empresa de locação de equipamentos da Europa e o quinto maior do mundo. No ano passado, a companhia faturou € 2,5 bilhões.
A companhia estreou no Brasil em 2015 quando comprou a Degraus, uma empresa focada em plataformas elevatórias, como andaimes e soluções para obras.
Oito anos mais tarde, os franceses compraram a Motormac Rental e A Geradora, especializada em aluguel de geradores de energia. Em 2025, a Loxam fez uma receita de R$ 580 milhões no País.
Agora, os franceses vão colocar para dentro a líder em plataformas elevatórias da América Latina, fundada pelo imigrante romeno José Nacht em 1952.
No primeiro tri, a Mills fez uma receita bruta de R$ 502 milhões, alta de 10,7% em relação ao mesmo período do ano passado.
A companhia também viu seu bottom line quase triplicar, para R$ 197 milhões entre janeiro e março. A alavancagem da Mills caiu 0,3x e fechou o tri em 1,1x.
Nos últimos dois anos, a Mills havia comprado duas concorrentes: a JM Empilhadeiras por R$ 279 milhões e a Next Rental por R$ 180 milhões.
Kariya disse que a venda não reflete uma mudança na estratégia operacional da Mills. “Seguimos focados em crescimento orgânico, expansão de frota e M&A. Essa oportunidade apareceu em paralelo,” disse o CEO.
Segundo ele, os próximos passos da companhia – incluindo quem ficará no comando da Mills – serão tomados após a aprovação do CADE.
A ação da Mills sobe 24% nos últimos doze meses. A empresa vale R$ 3,1 bilhões na B3.
O Lazard assessorou a Mills, que trabalhou com os escritórios Lefosse e Trindade Advogados.
A EuroLatina Finance assessorou a Loxam, que teve assessoria jurídica do Spinelli Advogados.
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