Vídeos curtos, narrativas aceleradas e tendências virais passaram a fazer parte da rotina de crianças e adolescentes que utilizam as redes sociais. A associação entre aparência infantil e conteúdos adultos amplia o alcance, fazendo com que o consumo aconteça de forma contínua e muitas vezes automática. Contudo, isso pode trazer impactos para o comportamento, o aprendizado e a formação crítica dos mais jovens.

“Esse tipo de conteúdo chama atenção porque é fácil de entender, é visualmente atrativo e segue um padrão. O problema está na forma como temas complexos aparecem ali, muitas vezes sem contexto ou reflexão, o que ajuda a naturalizar comportamentos que exigem discussão”, explica Larissa Capito, especialista em Psicologia Escolar e da Educação e orientadora educacional do Colégio Santa Catarina (Mooca/SP).

A exposição recorrente a esse tipo de narrativa pode impactar a forma como crianças e adolescentes interpretam situações do mundo real, especialmente em uma fase na qual a consciência ética e moral ainda está em formação. “Os jovens passam de um vídeo para outro sem elaborar o que viram. Quando temas como violência ou desrespeito aparecem associados ao humor, há um risco de dessensibilização”, afirma.

Diante desse cenário, especialistas reforçam que o foco deve estar menos na proibição e mais na mediação do consumo. “Mais importante do que o tempo de tela é a qualidade do conteúdo e a presença de mediação. É preciso ajudá-los a entender o que estão assistindo, questionar e desenvolver senso crítico”, orienta Larissa Capito.

Na prática, algumas estratégias podem ajudar no dia a dia:

  1. Acompanhar o conteúdo consumido: estar por perto e, sempre que possível, assistir junto permite identificar temas sensíveis e entender como a criança interpreta o que vê;
  2. Promover conversas sobre os vídeos: questionar o que foi assistido ajuda a evitar o consumo automático e favorece a reflexão;
  3. Contextualizar temas sensíveis: quando conteúdos abordarem violência ou desrespeito, é importante explicar e discutir, evitando naturalizações;
  4. Estabelecer limites de tempo de tela: criar rotinas contribui para reduzir o consumo excessivo;
  5. Equilibrar estímulos: alternar conteúdos rápidos com atividades que exigem mais concentração, como leitura, escrita e resolução de problemas.
Equilibrar o tempo de tela com atividades de concentração ajuda no desenvolvimento cognitivo (Imagem: AYO Production | Shutterstock)

O efeito dos vídeos rápidos no cérebro 

Além das questões relacionadas à formação de valores, o consumo frequente de vídeos curtos pode provocar efeitos comportamentais importantes. Isso acontece porque esses conteúdos operam com estímulos rápidos e recompensas imediatas, reduzindo o contato com experiências cognitivas mais complexas.

“Quando o cérebro se acostuma a esse ritmo, a capacidade de aprender é prejudicada. Há mais dificuldade de lidar com conteúdos que exigem abstração, compreensão e contexto”, reforça Larissa Capito. Ela destaca os principais prejuízos comportamentais associados ao consumo excessivo:

  • Redução da capacidade de reflexão;
  • Aumento da impulsividade;
  • Irritabilidade;
  • Dificuldade de lidar com frustração.

Por Nadja Cortes

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