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Poucos dias após a estreia de “Coração Acelerado” na faixa das 19h da Globo, Isadora Cruz já concluiu que tem uma personagem que atua como uma espécie de régua moral da trama criada e escrita por Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento.

Agrado não é apenas uma jovem compositora que tenta abrir caminho no sertanejo: ela é o retrato de um tipo de força que o folhetim relaciona com ancestralidade e persistência. “Agrado é um exemplo de ética, de coragem”, define a atriz.

A novela articula o sonho musical da mocinha, que tem um passado familiar atravessado por segredos, culpa e silêncios. Para Isadora, o que diferencia a personagem é menos a ambição de virar uma estrela e mais o modo como ela atravessa as negativas e se recusa a desistir.

“Mesmo com tantas portas se fechando, Agrado ainda corre atrás de novas portas para abrir”, afirma.

Esse lar é o alicerce dramático da protagonista. Agrado cresce em um ambiente totalmente feminino, guiada por referências que não abrem espaço para fragilidades: são mulheres que seguem trabalhando, insistindo e cuidando, mas sem romantização. 

Como você se sente interpretando a Agrado em “Coração Acelerado”?

Primeiramente, estou muito feliz. Agrado é uma heroína tão bem escrita, que vem sendo construída com muito amor e cuidado por mim e pela direção. Acho necessário pontuar a importância de “Coração Acelerado” ser uma novela escrita por duas mulheres. Eu venho de outra também escrita por uma mulher, a Claudia Souto, e minha personagem em “Volta por Cima”, a Roxelle, passou uma mensagem sobre o símbolo da mulher em perigo, que é um símbolo universal. 

Como você vê a Agrado nesse sentido?

Ela vem de uma família totalmente matriarcal e foi dessa forma, sendo criada por duas mulheres, que ela conseguiu florescer como essa mulher tão corajosa e sem medo. Quando você cresce com esse exemplo de mulheres trabalhadoras, que enfrentaram tanta coisa e persistiram nos seus sonhos, que passaram por tantas adversidades e conseguiram manter esse brilho e essa alegria de viver, isso traz um exemplo de muita crença.

O que mais marcou você quando leu sobre a Agrado?

Assim que eu peguei o texto, a coisa que mais me marcou foi a Agrado vir desse lar tão bonito e consistente. E apesar de não ter uma figura paterna, ela tem essa crença na vida, essa esperança, essa fé de que as coisas vão dar certo. Mesmo com tantas portas se fechando, Agrado ainda corre atrás de novas portas para abrir e tem uma resiliência e uma esperança que só uma criação feminina dá.

Como é sua relação com a Leticia Spiller e a Elisa Lucinda, que interpretam a mãe e a madrinha de Agrado na história?

Eu tive um sonho em que eu, Elisa Lucinda e Leticia Spiller fazíamos “As Bruxas de Eastwick”. Elisa fazia a Cher, eu fazia a Michelle Pfeiffer e Letícia era a Susan Sarandon. A gente tem essa coisa muito mística! Acho que esse encontro energético de nós três estava escrito. Sou grata pela troca, são artistas que eu sempre admirei.

O que você tem achado do texto de “Coração Acelerado”?

Esse texto é incrível! A gente se segura muito, o tempo todo, para não chorar. Quando pegamos o texto, é lágrima escorrendo. Quando vamos passar cena, é a gente se segurando para não chorar. É avassalador, nos atravessa de uma forma muito profunda. Elas (as autoras) sabem exatamente quais palavras colocar na boca dessas mulheres fortes e potentes. 

Você parece ter se dedicado bastante ao sotaque da Agrado…

Eu acho importante manter essa fidelidade. É muito bonito ver artistas que, quando eles tentam, fazem o máximo. Em “Guerreiros do Sol”, vimos vários sudestinos fazendo sotaque nordestino muito bem. Pessoas que se dedicam e fazem essa pesquisa que, para mim, é muito importante.

 

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