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No norte da Tanzânia, um lago de águas avermelhadas e aparência quase surreal se tornou conhecido mundialmente por um fenômeno que parece saído de uma lenda: animais encontrados às suas margens parecem ter sido transformados em pedra.
As imagens de aves e morcegos preservados em posições naturais chamaram atenção ao redor do mundo e ajudaram a consolidar a fama do Lago Natron como um dos ambientes mais hostis e misteriosos do planeta.
À primeira vista, os corpos endurecidos e cobertos por uma camada esbranquiçada realmente lembram esculturas petrificadas. A aparência levou muita gente a acreditar que qualquer criatura que tocasse a água seria instantaneamente transformada em pedra. A realidade, porém, é diferente, embora igualmente impressionante.
O lago possui características químicas extremas. Suas águas podem atingir níveis de alcalinidade comparáveis aos de substâncias corrosivas, com pH variando entre 10,5 e 12. Além disso, a temperatura da água pode chegar a cerca de 60°C, valor semelhante ao de uma bebida muito quente. O conjunto cria um ambiente praticamente inóspito para a maioria das formas de vida.
Grande parte dessa composição incomum é resultado da intensa atividade vulcânica da região. Próximo ao lago está o vulcão Ol Doinyo Lengai, que libera misturas de carbonato de sódio e carbonato de cálcio. Esses minerais percorrem o subsolo por falhas geológicas e alimentam fontes termais que desembocam no Natron.
O clima quente e árido também influencia diretamente o fenômeno. Como a evaporação supera a quantidade de chuva, a água se torna extremamente salgada e concentrada em minerais. O lago é relativamente raso, raramente ultrapassando três metros de profundidade, o que favorece ainda mais o aquecimento sob o sol equatorial.
Nesse ambiente severo, animais que morrem na região acabam passando por um processo natural de preservação. Em vez de se decompor rapidamente, os corpos perdem umidade e ficam cobertos por depósitos minerais. Isso cria uma aparência rígida e endurecida que lembra fossilização, embora não seja uma petrificação verdadeira.
Mumificação de corpos
Os especialistas explicam que o fenômeno está mais próximo de uma mumificação natural. O natrão, mistura de sais minerais que dá nome ao lago, possui grande capacidade de absorver água e gordura. A substância, inclusive, era usada no Egito Antigo para conservar corpos humanos durante processos de mumificação.
Assim, aves, morcegos e outros pequenos animais encontrados nas margens do lago acabam desidratados e calcificados ao longo do tempo. Restos de penas e tecidos ainda permanecem visíveis em muitos deles, mostrando que não se transformaram literalmente em pedra.
As imagens mais famosas do local foram popularizadas pelo fotógrafo Nick Brandt em 2013. Ele encontrou corpos preservados ao redor do lago e os posicionou de maneira a parecerem “reanimados”, criando fotografias em preto e branco que viralizaram internacionalmente. O próprio Brandt explicou depois que os animais não haviam sido encontrados exatamente naquelas poses.
Apesar da reputação assustadora, o Lago Natron também exerce papel fundamental no equilíbrio ecológico da região. O local abriga um dos principais pontos de reprodução do flamingo-do-norte no leste africano. As aves conseguem sobreviver às condições extremas e aproveitam a hostilidade do ambiente como proteção natural contra predadores.
Microrganismos adaptados à alta salinidade, conhecidos como haloarqueias, ajudam a dar à água sua coloração avermelhada característica. Eles também fazem parte da cadeia alimentar que sustenta os flamingos, junto das algas presentes no lago.
Nem todos os animais, porém, conseguem lidar com o ambiente. Algumas aves migratórias acabam colidindo com a superfície extremamente reflexiva da água, possivelmente confundidas pelo efeito de espelho criado pelo lago. Ao cair, muitas não conseguem sobreviver às temperaturas elevadas e à composição cáustica da água.
O próprio fotógrafo Nick Brandt relatou que o teor de sal e soda do lago era tão intenso que danificava rapidamente materiais fotográficos. Segundo ele, entrar na água seria extremamente doloroso, especialmente para quem tivesse pequenos cortes na pele.
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