O México buscará soluções diplomáticas e alternativas para ajudar Cuba, afirmou a presidente mexicana Claudia Sheinbaum nesta sexta-feira (30), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinar uma ordem executiva que impõe tarifas sobre os países que fornecem petróleo à ilha caribenha.

A ordem executiva da Casa Branca, emitida na quinta-feira (29), pode ser devastadora para Cuba, além de colocar o México em uma situação delicada, já que este é um dos últimos fornecedores de petróleo do país.

“Não queremos tarifas sobre o México, mas sempre buscaremos canais diplomáticos para demonstrar solidariedade à Cuba”, declarou Sheinbaum em coletiva de imprensa, destacando os riscos humanitários de um possível corte no fornecimento de petróleo.

Sheinbaum já disse diversas vezes que a decisão de enviar petróleo para Cuba é de soberania do país, mas a economia cubana é fortemente dependente das exportações para os Estados Unidos e, portanto, vulnerável a tarifas.

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, declarou “estado de emergência internacional” em resposta às tarifas americanas, que, segundo ele, constituem “uma ameaça incomum e extraordinária”.

Sheinbaum argumentou que o corte no fornecimento de petróleo para Cuba poderia desencadear uma “crise humanitária de grandes proporções” na ilha, afetando o transporte, os hospitais e o acesso a alimentos.

Ela não mencionou se o México cortaria o fornecimento de petróleo ou derivados para Cuba, que, de acordo com ela, representam 1% da produção mexicana, mas enfatizou que o governo está buscando alternativas para ajudar a ilha.

“Nosso interesse é que o povo cubano não sofra”, falou Sheinbaum, acrescentando que instruiu o Ministério das Relações Exteriores mexicano a entrar em contato com o Departamento de Estado americano para entender melhor o alcance da ordem executiva.

Sheinbaum disse que conversou com Trump na manhã de quinta-feira (29), horas antes do anúncio das tarifas, mas ele não mencionou as medidas.

Em 2024, a Gasolinas de Bienestar, afiliada da estatal mexicana de petróleo Pemex, exportou 20.100 barris por dia de petróleo bruto e 2.700 barris por dia de derivados de petróleo para Cuba, um aumento de 20% em relação ao ano anterior, totalizando US$ 600 milhões, conforme documento divulgado no ano passado.

A Venezuela, que já foi o principal fornecedor para o país, não envia petróleo bruto ou combustível para Cuba há cerca de um mês, conforme dados de remessas e documentos internos da estatal PDVSA, com as cargas diminuindo devido ao bloqueio dos EUA, mesmo antes da prisão de Nicolás Maduro em 3 de janeiro.

O governo venezuelano afirmou que o decreto dos EUA viola o direito internacional e expressou solidariedade à Cuba.

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