O Procurador-Geral de Justiça do Ministério Público do Paraná, Francisco Zanicotti, e o Procurador de Justiça Rodrigo Chemim participaram de 20 e 24 de maio em Palermo, na Itália, de encontro internacional promovido pelo Programa Europeu de Cooperação contra o Crime Transnacional Organizado (El Paccto 2.0) sobre combate ao crime organizado transnacional e à lavagem de dinheiro. Durante o evento, Zanicotti destacou a necessidade de ampliar a cooperação internacional e o compartilhamento de inteligência para enfrentar organizações criminosas que atuam além das fronteiras nacionais. O PGJ ressaltou a posição estratégica do Paraná, estado de tríplice fronteira com Paraguai e Argentina e sede do Porto de Paranaguá, um dos principais da América Latina.

Segundo ele, além do combate ao tráfico de drogas, roubos e extorsões, é fundamental intensificar ações voltadas ao rastreamento e bloqueio de recursos financeiros ligados ao crime organizado.
Zanicotti reafirmou o papel que o Ministério Público do Paraná tem desempenhado de forma firme no enfrentamento das  estruturas criminosas, não apenas no combate ao tráfico de drogas, roubos e extorsões, mas também no fortalecimento da cooperação em inteligência para identificar e sufocar fluxos financeiros ilícitos ligados à lavagem de dinheiro.

Ao lembrar a importância histórica e simbólica de Palermo na luta contra a máfia italiana,  prestou homenagem aos magistrados Giovanni Falcone e Paolo Borsellino, além dos agentes de segurança mortos nos atentados mafiosos ocorridos na Itália na década de 1990. Segundo ele, a defesa da segurança pública e do Estado de Direito exige atuação conjunta entre países e instituições. “A segurança dos nossos irmãos latino-americanos e europeus também é um objetivo nosso”, afirmou.

A invisibilidade financeira do crime organizado

Em seguida, Rodrigo Chemim abordou a relação entre organizações criminosas brasileiras e a máfia calabresa ’Ndrangheta. Utilizando a metáfora do “anel de Giges”, descrita por Platão como símbolo da invisibilidade, o procurador afirmou que a lavagem de dinheiro é hoje uma das principais ferramentas do crime organizado para ocultar patrimônio e transformar recursos ilícitos em capital aparentemente legítimo.

Chemim citou a Operação Mafiusi, deflagrada em 2024 pela Polícia Federal brasileira em cooperação com autoridades italianas, que investigou esquema de tráfico internacional de cocaína e lavagem de dinheiro com utilização do Porto de Paranaguá como rota logística para envio de drogas à Europa. O procurador destacou que a cooperação entre Brasil e Itália foi essencial para identificar conexões entre integrantes da ’Ndrangheta e o PCC, além de auxiliar na compreensão de homicídios ligados a disputas do tráfico no litoral paranaense.
Ao encerrar a apresentação, Chemim afirmou que o principal desafio atual das instituições de Justiça é retirar do crime organizado sua capacidade de operar invisivelmente por meio da ocultação patrimonial e financeira. “Nosso desafio é tornar visível o patrimônio oculto, seguir o dinheiro e impedir que os recursos do crime continuem financiando a máquina criminosa”, afirmou.

O encontro reuniu em Palermo procuradores da América Latina, Europa e África como parte da estratégia de reuniões operacionais promovidas pelo El Paccto 2.0 para uma cooperação judicial mais eficiente e eficaz contra a lavagem de dinheiro, baseada em uma rápida troca de informações sobre fluxos ilícitos.

Promovido  pela Procuradoria Nacional Antimáfia e Antiterrorismo italiana, o evento é  organizado pelo Programa El Paccto 2.0 em colaboração com os programas Falcone Borsellino, Eurofront e Itajus, e com a participação do UNODC.

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