Saber como usar um extintor de incêndio pode salvar vidas e evitar que um pequeno foco de fogo se transforme em uma tragédia. Apesar de ser um equipamento de segurança presente em empresas, prédios e até em automóveis, muitas pessoas nunca receberam treinamento para utilizá-lo corretamente. O resultado é que, em situações de emergência, o extintor pode estar ao alcance das mãos, mas a insegurança impede sua utilização.
Neste artigo, vamos explorar de forma clara e detalhada como identificar, manusear e aplicar o extintor de incêndio corretamente, além de trazer informações reais sobre normas brasileiras, dicas de especialistas e boas práticas de prevenção.
O que é um extintor de incêndio
O extintor de incêndio é um equipamento portátil, pressurizado, que contém agentes químicos capazes de combater diferentes tipos de fogo. Sua função é interromper a reação em cadeia das chamas, resfriar o material combustível ou retirar o oxigênio da área em combustão.
Ele é obrigatório em diversos ambientes, conforme determina o Corpo de Bombeiros e a ABNT NBR 12693, norma brasileira que regulamenta sistemas de proteção por extintores.
Tipos de fogo e classificação de extintores
Antes de aprender a usar, é essencial saber que cada extintor é indicado para um tipo específico de fogo. Usar o modelo errado pode ser ineficaz e até perigoso.
Classes de fogo
- Classe A: materiais sólidos como papel, madeira, tecidos e plástico.
- Classe B: líquidos inflamáveis como gasolina, álcool, óleo e solventes.
- Classe C: equipamentos elétricos energizados, como computadores, motores e painéis.
- Classe D: metais combustíveis como magnésio e sódio (mais comum em indústrias).
- Classe K: óleos e gorduras de cozinha, típico em restaurantes.
Tipos de extintores de Incêndio
- Água pressurizada: indicado para classe A.
- Pó químico seco (PQS): indicado para classes B e C (o mais encontrado em veículos).
- CO₂ (dióxido de carbono): indicado para classe B e C, ideal para locais com equipamentos elétricos.
- Espuma mecânica: indicado para classe A e B.
- Extintor classe K: específico para cozinhas profissionais.
Como identificar um extintor em ambiente público
Em locais como shoppings, empresas ou escolas, os extintores ficam posicionados em pontos estratégicos e de fácil acesso. Segundo as normas brasileiras:
- Devem estar visíveis e sinalizados.
- A altura máxima da parte superior deve ser de 1,60 m em relação ao piso.
- Devem estar localizados próximos a rotas de fuga.
Ao encontrar um, sempre verifique:
- O lacre: precisa estar intacto.
- O manômetro (quando houver): o ponteiro deve estar na área verde.
- A etiqueta de inspeção: comprova que o equipamento passou por revisão periódica (normalmente a cada 12 meses).
Passo a passo de como usar um extintor
Em uma emergência, cada segundo conta. Por isso, memorize a técnica PASS (Pull, Aim, Squeeze, Sweep), que traduzida significa Puxar, Apontar, Apertar e Movimentar:
- Puxar o pino de segurança – Retire o lacre puxando o pino metálico.
- Apontar para a base do fogo – Mire o bico do extintor na raiz das chamas, nunca na parte superior.
- Apertar o gatilho – Pressione o acionador para liberar o agente extintor.
- Movimentar o jato em varredura – Faça movimentos de um lado para o outro cobrindo toda a área em combustão.
Esse procedimento simples aumenta muito a eficácia do combate inicial.
Dicas importantes no uso do extintor
- Mantenha sempre distância segura de aproximadamente 2 metros do fogo.
- Se o fogo aumentar após o uso, abandone o local imediatamente e acione os bombeiros (193).
- Nunca vire de costas para o incêndio enquanto estiver utilizando o equipamento.
- Se o ambiente estiver muito tomado por fumaça, priorize a evacuação.
Erros comuns que devem ser evitados
- Usar extintor de água em equipamentos elétricos – risco de choque.
- Direcionar o jato para a parte superior das chamas – não apaga o foco.
- Não verificar a validade do extintor antes da necessidade.
- Aproximar-se demais das chamas, comprometendo a segurança.
Manutenção e validade dos extintores
Todo extintor deve passar por inspeção e manutenção regular, que inclui:
- Inspeção mensal: feita pelo responsável do local, verificando lacre, pressão e condições externas.
- Manutenção anual: realizada por empresa certificada pelo Inmetro.
- Teste hidrostático: a cada 5 anos, para avaliar a resistência do cilindro.
Esses cuidados garantem que o equipamento esteja sempre pronto para uso.
O que fazer após usar um extintor
Muitas pessoas esquecem que, mesmo após apagar o fogo, é necessário:
- Informar o responsável pelo local para reposição imediata.
- Solicitar nova recarga em empresa autorizada.
- Registrar o ocorrido para análise de riscos e prevenção de novos incidentes.
Extintores em carros: o que mudou
No Brasil, desde 2015, o Contran deixou de exigir extintores em veículos particulares. No entanto, muitos motoristas ainda preferem mantê-los no carro como medida de segurança. Para ônibus, caminhões e veículos de transporte coletivo, a obrigatoriedade continua.
Treinamentos e simulados
Empresas e condomínios são obrigados a promover treinamentos periódicos de brigada de incêndio. Nessas atividades, funcionários aprendem na prática a usar o extintor, evacuar áreas e acionar os bombeiros. Essa prática é essencial para criar reflexos automáticos em emergências.
Perguntas frequentes sobre o uso de extintores
É perigoso usar sem treinamento?
Não, qualquer pessoa pode usar seguindo o passo a passo básico, mas o treinamento aumenta a confiança.
O gás do extintor é tóxico?
O pó químico pode causar irritação, e o CO₂ pode reduzir o oxigênio em locais fechados. Por isso, após o uso, é importante ventilar o ambiente.
Posso reutilizar um extintor depois de disparado?
Não. Mesmo que tenha liberado pouco conteúdo, precisa de recarga.
Por que é importante aprender a usar um extintor
O incêndio é um dos acidentes mais rápidos e destrutivos que podem ocorrer em residências, empresas e espaços públicos. Estatísticas do Corpo de Bombeiros mostram que grande parte dos focos poderia ter sido controlada nos primeiros minutos, caso alguém tivesse usado corretamente um extintor. Aprender a manusear esse equipamento não é apenas uma questão de norma, mas de responsabilidade coletiva.
