Chefe da Casa Militar e coordenador da Defesa Civil estadual, o coronel da PM de São Paulo Henguel Ricardo Pereira assumirá o cargo de secretário-executivo da SSP (Secretaria de Segurança Pública) paulista, a segunda mais importante função dentro do organograma da pasta. A secretaria-executiva é subordinada apenas ao secretário titular, neste caso o delegado Osvaldo Nico Gonçalves.
A previsão é de que as mudanças sejam publicadas no Diário Oficial nesta segunda-feira (2). Henguel sucede o também coronel Paulo Maculevicius Ferreira e deixa a Defesa Civil, para cujo comando foi indicado o tenente coronel Rinaldo de Araújo Monteiro, coordenador do órgão na região do Vale do Paraíba.
Policial de carreira, Henguel entrou na Academia de Polícia Militar do Barro Branco em 1989 e foi declarado aspirante a oficial em 1993. Desde então passou por unidades como o Policiamento de Choque e o Comando de Bombeiros Metropolitano.
Ele foi um dos coordenadores do Gradi (Grupo de Repressão e Análise dos Delitos de Intolerância), órgão usado por policiais militares para recrutar homens presos e infiltrá-los na facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
O Gradi foi responsável pela Operação Castelinho, em 2002, quando 12 suspeitos que estavam em um ônibus foram parados por uma barreira policial e mortos a tiros.
Segundo a investigação feita à época, infiltrados do órgão na facção convenceram o grupo de suspeitos a assaltar um avião pagador em Sorocaba (SP) que supostamente carregava R$ 28 milhões.
O avião não existia, e o grupo, de acordo com a denúncia, foi induzido a realizar o assalto para que sofresse a emboscada da PM. Mais de 700 disparos foram efetuados pelos policiais.
Henguel e todos os outros 52 réus denunciados foram absolvidos. A Justiça concluiu que não havia provas suficientes contra os PMs e acolheu o argumento de que eles agiram em legítima defesa. A sentença foi confirmada em segundo grau.
No âmbito externo, porém, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Estado brasileiro pela operação. A decisão, de 2024, afirmou que o estado de São Paulo deve reconhecer publicamente as execuções da operação.
Como oficial, o coronel também participou de ocorrências como o incêndio no Memorial da América Latina, em 2013, e a queda do avião da TAM, em 2007.
Henguel assumiu a Defesa Civil de São Paulo em 2022. A SSP declarou em nota que o coronel “focou em investimentos em obras de prevenção e recuperação” e “foi responsável pela modernização do sistema de monitoramento meteorológico, implantando novos radares e sirenes em áreas de risco”.
Em 2023, ele enviou equipes para apoiar no terremoto da Turquia e chefiou o comitê nacional de apoio ao desastre do Rio Grande do Sul, em 2024.
A pasta ainda disse que outro de seus feitos está no aparelhamento das defesas civis municipais. Como mostrou a Folha, equipes da Defesa Civil estão hoje em todas as 645 cidades paulistas.
A equipe mínima para as cidades menores é de dois agentes, quantidade que aumenta a partir de fatores como o tamanho do ente federativo e o quão propenso ele é a sofrer desastres ambientais.
A capital paulista, por exemplo, conta com cerca de 400 agentes que ficam de prontidão sempre que ocorre um evento que coloque a população em risco.
Henguel é bacharel em ciências jurídicas e engenheiro civil e de segurança do trabalho. Ele é doutor em ciências policiais e ordem pública e foi homenageado com diversas medalhas e honrarias policiais, entre elas a Láurea de Mérito Pessoal em 1º Grau, e medalha Valor Militar em Grau Ouro.
