A Unidos de Padre Miguel conquistou o Estandarte de Ouro de melhor escola da Série Ouro do carnaval 2026. O prêmio dos jornais O GLOBO e Extra é considerado o “Oscar do sambista”. Já a União do Parque Acari ganhou o melhor samba-enredo na 54ª edição da premiação criada em 1972 para reconhecer aqueles que fazem da Marquês de Sapucaí um espetáculo de cultura e emoção.

O prêmio da categoria Fernando Pamplona, que premia o uso de material barato com bom efeito visual, foi concedido à terceira alegoria da Vigário Geral (“Malassombro sertanejo”).

Alegoria da Vigário Geral (“Malassombro sertanejo”). — Foto: Marcelo de Mello

Quinta a desfilar nesse primeiro dia, a Unidos de Padre Miguel (UPM) contou a história da indígena potiguar Clara Camarão. O presidente do júri do Estandarte de Ouro, Marcelo de Mello, afirmou que a UPM conquistou os jurados porque fez um desfile completo e com garra.

— Às vezes uma escola está com uma fantasia e alegorias muito ricas, muito bonitas, mas o samba não é muito legal. Às vezes a escola está muito animada, mas está pobre, está sem criatividade. A Unidos de Padre Miguel não: ela estava completa. Ela tinha um bom samba, bateria muito boa, fantasias e alegorias muito ricas, muito criativas, imponentes. Ela estava com muita garra, cantou o samba com muita gana — ressalta Mello.

Rebaixada no ano passado — na visão de muitos componentes, de forma injusta —, a UPM vai brigar para retornar ao Grupo Especial.

A garra da escola se expressou especialmente num dos versos do samba-enredo: “Vai, meu Boi Vermelho, honre a tua história / E seja a flecha viva da memória / Quantas vezes for preciso, haverá renascimento”.

União do Parque Acari leva melhor samba-enredo

Terceira escola a desfilar pela Série Ouro na sexta-feira, a União do Parque Acari apresentou o enredo “Brasiliana”, homenagem ao grupo teatral de mesmo nome, criado por Haroldo Costa (1930-2025) em 1949 — que morreu em dezembro. Apresentou o melhor samba-enredo, na avaliação dos jurados do Estandarte.

A composição é de autoria de Fred Camacho e Gustavo Clarão com o Moacyr Luz, um dos sambistas mais cultuados do país. Presidente do júri, Marcelo de Mello destaca que a canção se destacou por ilustrar o enredo de forma poética e lírica.

— Muito suave e elegante. O primeiro verso é ‘Sou eu, Brasil’, e era uma moça que cantava. Quando fui para casa no dia do desfile, eu, quando estava adormecendo, a voz dela vinha na minha mente. Uma coisa doce. Foi uma descrição do enredo de forma poética, suave, elegante. Muito bem construída, por isso encantou. A palavra é essa: é um samba encantador — destaca Mello.

Da retinta matriz africana

Ascendente que a arte proclama

A dança ilumina o terceiro sinal

É o samba de novo, e a força do povo

A estrela divina, negra bailarina

Quitutes e cores, Maria Baiana

Acordam tambores, desperta Aruanda

Ibarabô, o terreiro ganhou plateia

Ecoou o batuque dos ancestrais

Quem consagrou foi Joãozinho da Gomeia

Rei Nagô, resistência dos rituais

É farra do coco, ladainha

Cenários, ensaios, livraria

Tem frevo rasgado de sombrinha

Calunga, Maracatu, louvado seja Exu

Ninguém calou nossa voz, a história fala por nós

Zum zum zum, tem capoeira

Preto velho abençoou o legado popular

No cordão de Acari, ela é soberana

O teatro é aqui, viva Brasiliana”

Alegoria de Vigário Geral leva prêmio Fernando Pamplona

Vencedora do prêmio que avalia o uso de material barato com bom efeito visual, a terceira alegoria da Vigário Geral, batizada de “Malassombro sertanejo”, foi quase toda produzida com material doado ou “catado” e reaproveitado. Caio Cidrini, um dos carnavalescos, explicou ao presidente do júri que a figura central — o “Cramulhão” — foi feita com base de isopor e aplicação de “lasanha” de tecido que já havia disponível ou que a escola ganhou, por exemplo.

— Fizeram também empastelamento com papel carne-seca, água e cola. Fazer uma escultura mais precisa e bem acabada seria mais caro. Aquelas ‘toalhas de mesa’ redondas são costeiros de fantasias recicladas, na parte central, e estampas, nas laterais — detalha Marcelo de Mello.

Na Série Ouro, são concedidos os prêmios de melhor escola e melhor samba-enredo. No Grupo Especial, o Estandarte premia as escolas nas seguintes categorias: melhor escola, bateria, ala de passistas, samba-enredo, enredo, fantasias, comissão de frente, personalidade, ala, baianas, puxador, mestre-sala, porta-bandeira e destaque do público.

Já as categorias revelação e inovação, no Grupo Especial, e Fernando Pamplona (uso de material barato com bom efeito visual), na Série Ouro, são prêmios especiais, que podem ou não ser concedidos conforme avaliação do júri.

O prêmio Destaque do Público será definido por votação on-line dos leitores, a partir de uma pré-seleção feita por jornalistas do GLOBO e do Extra. Cada agremiação do Grupo Especial terá um item indicado, e a votação será aberta aos internautas.

Quem quiser assistir à entrega dos prêmios já pode comprar ingressos para o evento, marcado para 4 de março, a partir das 19h30, no Vivo Rio. No primeiro lote, que está à venda, as entradas são para mesas compartilhadas (setor 2), com cada cadeira custando R$ 170; a meia-entrada custa R$ 85.

Há ainda a pista (setor 3), com bilhetes a R$ 127, e meia a R$ 63,50. A comercialização é feita pelo site Ticket 360, através do link ticket360.com.br/evento/32582/ingressos-para-estandarte-de-ouro-2026. A atração musical da noite ainda será anunciada.

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