Depois da pior atuação e derrota em cinco anos, Abel repetiu várias vezes que “90 minutos no Allianz Parque é muito tempo…” É a versão luso-palestrina de “90 minutos no Bernabéu são muito longos”, nas noites pentadecacampeãs europeias do Real Madrid.

Prepotência? Fato é que não bate com as dores americanas de um bicampeão continental; em 2020-21, o Palmeiras fez a América em campos neutros. O melhor visitante da história da Libertadores conquistou a Glória Eterna de 2020 no Maracanã. Em 2021, no Uruguai, quase jogava fora pelo enorme tamanho da massa do Flamengo, mas o gigantesco barulho da torcida alviverde em Montevidéu ganhou também no grito. Depois de superar todas aquelas fases sem torcida no Allianz (por questões sanitárias).

Desde então, a equipa de Abel sempre caiu na Libertadores em casa: também pela arbitragem ruim contra o Athletico, ou pela demora em mexer contra o Boca no ano seguinte, e muito pelo mérito do Botafogo na temporada passada.

O Allianz Parque não conseguiu ser na Libertadores o que o Palmeiras foi, por exemplo, nos 4×0 espetaculares contra o São Paulo, em 2022 (a maior goleada de uma final paulista entre gigantes). O mesmo placar que, nesta quinta-feira, o Palmeiras precisa para ir até a final, no Peru.

Tem mais bola, bala, elenco, treinador e cartel recente de viradas de remontar estatísticas e histórias. A questão é que, hoje mesmo, pelo Brasileiro, tem um duelo de 200 pontos contra o Cruzeiro. Cabuloso bem estruturado que ainda pode sonhar com o título, e mais ainda com o torneio que mais sabe vencer, a Copa do Brasil.

O Palmeiras precisa jogar tudo o que jogou mesmo na polêmica derrota contra o Flamengo para se manter vivo nos dois torneios. Mesmo que, na Libertadores, tenha à frente a LDU que, na fase de grupos, superou em pontos o Flamengo que parecia insuperável, e eliminou outros favoritos, como Botafogo e São Paulo. E jogando menos do que brilhou no primeiro tempo, no Equador.

Ainda está em aberto porque é futebol. E, nessa grande área, o Palmeiras tem jogado e/ou vencido mais do que ninguém no Brasil e na América do Sul. Ou tanto quanto o Flamengo, que mostrou contra o ótimo Racing (um time bem melhor do que a LDU) que está muito vivo na Libertadores, e assim voltará de Avellaneda.

Ainda acredito na final brasileira da Libertadores. Pode ser coisa do meu coração sem correção. Mas feliz é o clube cuja cor é esperança. E mais feliz ainda tem sido quem torce pelo time de Abel. Até quando erra.

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