O Assaí apresentou lucro de R$ 9 milhões no quarto trimestre de 2025, uma forte redução de 97,9% frente ao lucro de R$ 430 milhões do quarto trimestre de 2024. O resultado foi afetado negativamente em R$ 521 milhões referentes à provisão de baixa contábil (“impairment”) da FIC, mas positivamente em R$ 75 milhões por créditos extemporâneos relativos a pagamentos tributários.
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Em dezembro do ano passado, as varejistas GPA, Assaí e Casas Bahia venderam suas participações direta ou indiretamente detidas na Financeira Itaú CBD (FIC) para o Itaú Unibanco. O Assaí concordou em vender participação por R$ 260 milhões dois anos após o fechamento da operação com o GPA e Casas Bahia, tornando o Itaú o único acionista direto e indireto da FIC. Ajustado a esses efeitos, o lucro líquido da companhia no último trimestre chegou a R$ 347 milhões, queda de 26,8%.
Entre outubro e dezembro, as receitas líquidas somaram R$ 20,79 bilhões, alta de 3,1%. O custo das mercadorias vendidas totalizou R$ 17,15 bilhões, alta de 2,6%, enquanto as despesas com vendas, gerais e administrativas totalizaram R$ 1,96 bilhão, avanço anual de 7,5%.
O lucro operacional do Assaí chegou a R$ 686 milhões, queda anual de 42,7%, também afetado pela baixa contábil registrada no trimestre. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ficou em R$ 1,13 bilhão, queda de 29,9% em um ano.
O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 880 milhões, uma piora anual de 31,5%. Todos os números da companhia consideram a adoção da norma contábil IFRS 16, desde janeiro de 2019, que afeta algumas linhas da demonstração de resultados, especialmente lucro líquido, Ebitda, despesas com vendas, gerais e administrativas e resultado financeiro.
“O ambiente macroeconômico em 2025 permaneceu desafiador, marcado por juros elevados e alto endividamento das famílias, com impacto assimétrico entre perfis de renda. Esse cenário conviveu, ao longo do ano, com um movimento de deflação de preços em itens importantes da cesta de consumo refletindo maior oferta em algumas categorias básicas”, comenta Belmiro Gomes, diretor-presidente da companhia, em carta que acompanhou o balanço.
Para 2026, o executivo destacou que a companhia avançará na agenda estratégica com a implementação, no início do segundo semestre, das primeiras unidades de farmácia; o lançamento da marca própria; a consolidação do Inoue e de serviços financeiros; e a expansão do Assaí Digital, com ampliação das lojas integradas ao iFood e a entrada no marketplace via parceria com o Mercado Livre.
“Mantemos uma abordagem seletiva de crescimento e projetamos a abertura de aproximadamente cinco novas lojas em 2026, priorizando a melhoria da estrutura de capital e a redução contínua da alavancagem”, diz Gomes.
No acumulado de 2025, a companhia teve lucro líquido (pré-IFRS 16) de R$ 699 milhões, queda de 24,8% frente ao resultado de 2024. Considerando a norma, o lucro chegou a R$ 497 milhões no ano passado, recuo anual de 35,4%. A receita anual foi de R$ 84,73 bilhões, alta de 5,2% no ano.
Ao final de dezembro, a dívida líquida da companhia era de R$ 9,99 bilhões, fazendo com que o índice de alavancagem, medido pela relação dívida líquida mais recebíveis descontados pelo Ebitda ajustado pré-IFRS16, atingisse 2,56 vezes no trimestre.
