Poucos momentos na carreira de um treinador pesam tanto quanto cortar uma atleta às vésperas de uma Olimpíada. Depois de mais de duas décadas no comando da Seleção Brasileira Feminina de Vôlei, Zé Roberto Guimarães admite que algumas decisões continuam marcadas em sua memória.
Em entrevista concedida em 2025 ao podcast Ataque e Defesa, comandado pelo jornalista Alê Oliveira, o treinador abriu o coração ao falar sobre o corte mais doloroso de sua trajetória na Seleção Brasileira.
Segundo Zé Roberto, a saída de Mari Steinbrecher antes dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, ainda provoca sofrimento anos depois.
Zé Roberto admite dor ao lembrar corte de Mari Steinbrecher
Ao recordar o período antes da Olimpíada, Zé Roberto explicou que os cortes sempre mexeram emocionalmente com toda a comissão técnica. Além disso, o treinador afirmou que costuma sofrer dias antes de comunicar a decisão para as atletas.
“Não tem como não sentir. Semanas antes do corte eu já fico mal, porque eu sei que a gente vai se separar e que essa jogadora nunca vai entender porque foi cortada”, revelou.
Na sequência, o comandante da Seleção Brasileira destacou a relação próxima construída com Mari Steinbrecher desde o início da carreira da ponteira.
“A Mari sempre foi para mim minha filha. Conheci ela quando ela tinha 16 anos. Eu era um pai também para ela, participei da vida dela, sempre estive muito próximo.”
Logo depois, Zé Roberto admitiu que ainda sente o peso daquela escolha feita antes da Olimpíada de Londres.
“Esse foi um dos cortes mais difíceis e mais duro da minha vida. Naquele momento, tinha que ser feito, mas foi muito triste. Eu sinto até hoje de ter feito aquele corte, mas tinha que ter acontecido.”
Além disso, o treinador explicou que decisões como essa acabam deixando marcas profundas tanto nas atletas quanto nos profissionais envolvidos no processo. Confira a fala completa do treinador abaixo, no canal Ataque e Defesa.
Outros cortes também marcaram trajetória de Zé Roberto
Durante a entrevista, Zé Roberto também relembrou outros momentos difíceis envolvendo jogadoras importantes da Seleção Brasileira ao longo dos anos.
Entre os nomes citados apareceram Carol Gattaz, Juciely Barreto, Monique Pavão e Camila Brait.
Segundo o treinador, cada corte possui um impacto diferente. No entanto, todos carregam um peso emocional muito grande por envolverem o sonho olímpico das atletas.
“A gente sempre fica pensando que são atletas e estão fazendo força, suando. É o sonho da vida delas.”
Além de falar sobre as jogadoras, Zé Roberto também relembrou experiências pessoais vividas durante sua carreira no esporte. Dessa maneira, o treinador mostrou que entende a dor causada por esse tipo de decisão.
“Eu também fui cortado. Fui uma vez para os Jogos Olímpicos e não fui depois. A vida é assim, infelizmente.”
Atualmente, Zé Roberto segue como um dos técnicos mais vitoriosos da história do vôlei mundial. Desde 2003 no comando da Seleção Brasileira feminina, o treinador acumulou títulos olímpicos, conquistas mundiais e participou diretamente da formação de diferentes gerações da equipe nacional.

