Dois dos maiores rivais políticos do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, afirmaram neste domingo (26) que unirão forças para derrubar seu governo de coalizão nas próximas eleições, previstas para este ano.
Os ex-primeiros-ministros —o direitista Naftali Bennett e o centrista Yair Lapid— divulgaram comunicados anunciando a fusão de seus partidos, Bennett 2026 e Yesh Atid (Há um Futuro). “Estamos aqui juntos pelo bem de nossos filhos. O Estado de Israel precisa mudar de direção”, disse Lapid ao lado de Bennett em uma entrevista coletiva conjunta.
Desde seu primeiro mandato à frente de Israel, nos anos 1990, Netanyahu se tornou uma figura polarizadora dentro e fora do país.
Bennett disse que o novo partido se chamará Juntos e que ele será seu líder. “Depois de 30 anos, é hora de se separar de Netanyahu e abrir um novo capítulo para Israel”, afirmou.
Os dois já se uniram antes, pondo fim ao mandato consecutivo de 12 anos de Netanyahu em 2021. O governo conjunto, com uma maioria apertada e profundamente dividido em questões importantes como o conflito israelense-palestino, sobreviveu por apenas 18 meses.
A coalizão deles incluiu pela primeira vez na história de Israel um partido formado pela minoria árabe do país —palestinos etnicamente, israelenses por cidadania — a Lista Árabe Unida (LAU).
Antes disso, a dupla forçou sua entrada no governo de Netanyahu em 2013, em uma manobra que deixou de fora os tradicionais aliados judeus ultraortodoxos do primeiro-ministro.
Netanyahu, o primeiro-ministro mais longevo do país, venceu a eleição de novembro de 2022 e formou o governo mais à direita da história de Israel.
Mas o ataque do Hamas ao sul de Israel em 2023, que mergulhou o Oriente Médio em turbulência e fez Israel lutar em múltiplas frentes, deixou as credenciais de segurança de Netanyahu em frangalhos. As pesquisas desde então têm previsto que ele perderá a próxima eleição, que deve acontecer até o final de outubro.
Mas Netanyahu já demonstrou notáveis habilidades de sobrevivência política no passado. No domingo, ele postou uma foto de 2021 de Bennett e Lapid com o líder da LAU, Mansour Abbas. “Eles fizeram uma vez, farão de novo”, disse a postagem de Netanyahu no Telegram, uma aparente crítica à efêmera coalizão de 2021.
Bennett disse que não buscará uma coalizão com partidos árabes novamente e descartou ceder “qualquer terra a inimigos”, uma aparente referência ao objetivo dos palestinos de estabelecer um Estado independente em territórios ocupados por Israel.
O direitista, de 54 anos, é um combativo ex-militar que se tornou milionário da tecnologia. Ele tem ficado atrás de Netanyahu nas pesquisas eleitorais. Em 23 de abril, um levantamento da N12 News de Israel mostrou Bennett conquistando 21 das 120 cadeiras do Knesset, contra 25 para o Likud de Netanyahu.
A pesquisa mostrou o partido de Lapid com apenas sete cadeiras, abaixo das 24 que atualmente detém, mas com a coalizão de partidos de direita e religiosos de Netanyahu comandando apenas 50 cadeiras, contra pelo menos 60 cadeiras para a provável coalizão de Bennett e Lapid, que incluiria várias facções menores.
Lapid, de 62 anos, um ex-âncora de telejornal que escreve músicas pop e thrillers, fala como a voz da classe média secular de Israel, que tem ficado cada vez mais indignada com o que considera uma carga injusta de impostos e serviço militar.
Os aliados políticos ultrarreligiosos de Netanyahu têm buscado uma isenção para suas comunidades – que têm baixo emprego e muitos benefícios estatais – do serviço militar obrigatório.
É uma questão delicada em Israel, que se tornou ainda mais urgente desde que os militares alertaram sobre estarem sobrecarregados. Os últimos dois anos registraram o maior número de mortes de soldados em décadas.
Tanto Lapid quanto Bennett fizeram disso uma questão central de sua campanha. Eles também criticaram Netanyahu por não conseguir transformar ganhos militares em vitórias estratégicas sobre o Irã e os grupos que ele apoia no Líbano e em Gaza, o Hezbollah e Hamas, respectivamente.
