Os preços do petróleo tombaram nesta sexta-feira (17) após o Irã declarar que o Estreito de Ormuz está aberto.
Os contratos futuros do petróleo Brent estavam em queda de US$10,38, ou 10,5%, a US$88,95 o barril, por volta das 11h (horário de Brasília), depois de caírem para uma mínima de sessão de US$87,71. Os contratos futuros do petróleo West Texas Intermediate dos EUA caíam US$10,50, ou 11%, para US$ 84,28 o barril, depois de atingirem US$83.
Ambos os contratos estavam sendo negociados em seu nível mais baixo desde 11 de março.
“Em consonância com o cessar-fogo no Líbano, a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está declarada totalmente aberta durante o período restante do cessar-fogo”, afirmou o Ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, no dia X. Os navios podem navegar pela “rota coordenada, conforme já anunciado” pelas autoridades iranianas.
Bruno Cordeiro, especialista em inteligência de mercado da StoneX, aponta que a decisão por parte do regime iraniano eleva as expectativas de normalização dos fluxos de petróleo e derivados provenientes do Golfo Pérsico para o restante do mundo.
“Ainda assim, em um primeiro momento, é natural observar maior cautela por parte das companhias marítimas na alocação de seus ativos na região, especialmente no trânsito pelo Estreito de Ormuz”, avalia.
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Apesar disso, a expectativa é de uma retomada gradual — e possivelmente mais consistente — do número de embarcações utilizando a rota, o que deve contribuir para a recuperação das exportações de commodities energéticas por importantes países da região, como Arábia Saudita, Kuwait, Irã e Iraque.
Diante desse cenário, o mercado passa a monitorar dois pontos principais: o volume de navios transitando pelo estreito nos próximos dias e o avanço das negociações diplomáticas entre Teerã e Washington ao longo da próxima semana. A reabertura da via pode sinalizar uma reaproximação mais consistente entre os dois países, com potencial de evolução para uma solução mais duradoura.
No entanto, é importante destacar que o mercado físico ainda segue bastante pressionado. Há sinais de restrição de oferta em algumas regiões, especialmente na Ásia e na Europa. A Agência Internacional de Energia (AIE), por exemplo, indicou recentemente que o continente europeu dispõe de cerca de seis semanas de estoques de querosene de aviação.
Na Ásia, por sua vez, já se observam medidas mais intensas de contenção de demanda, como forma de lidar com um balanço mais apertado.
“Assim, no curto prazo, é possível que vejamos uma queda mais acentuada dos preços negociados em bolsa, enquanto os preços no mercado físico (spot) permanecem elevados, refletindo o tempo necessário para a normalização logística global”, avalia.
