A ampliação e o uso estratégico de bancos de perfis genéticos foram defendidos pelo procurador-geral de Justiça do Paraná, Francisco Zanicotti, como um instrumento para fortalecer o Sistema de Justiça. A manifestação ocorreu em sua apresentação nesta quinta-feira, 18 de setembro, durante a 37ª Conferência Nacional e Internacional dos Ministérios Públicos, em Puerto Iguazú, Argentina.
Zanicotti abordou o tema “Independência funcional e gestão de banco de perfis genéticos” em um painel que contou também com a participação do diretor do Registro Provincial de Impressões Digitais Genéticas,Miguel Marino, responsável pelo Laboratório de Genética Forense de Mendoza.
Em sua fala, o procurador-geral destacou a tecnologia e a cooperação internacional como pilares na resolução de crimes. “Nossa meta é clara: utilizar a ciência para construir um Sistema de Justiça mais eficiente, equitativo e seguro e também para otimizar os recursos, fortalecendo nossa atuação por meio de parcerias e compartilhamento de dados”, afirmou.
“O Banco de Perfis Genéticos não é apenas uma ferramenta de investigação, mas um instrumento de justiça. Ele nos permite honrar a memória das vítimas, punir os culpados e, acima de tudo, prevenir que novos crimes ocorram”, complementou.
Zanicotti destacou o poder da prova científica para ampliar o alcance das investigações por meio de buscas em larga escala. Ao apresentar os resultados obtidos no Paraná, ele creditou o sucesso à integração entre o Ministério Público, a Polícia Científica e a Polícia Civil.
“O Ministério Público do Paraná desempenha um papel crucial nesse processo”, afirmou. “Nossa atuação vai desde a garantia da coleta correta de vestígios no inquérito até o uso da prova genética para embasar denúncias na fase processual. A colaboração com os demais órgãos de segurança tem fortalecido a cadeia de custódia da prova, garantindo a integridade de cada amostra.”
Apesar dos avanços, o procurador-geral apontou desafios importantes, como a necessidade de expandir o banco de dados, investir no treinamento contínuo dos profissionais e conscientizar a sociedade sobre a relevância do trabalho. “Precisamos garantir que todos os condenados por crimes graves tenham seus perfis genéticos inseridos no banco como determina a lei, e que a colaboração entre os Ministérios Públicos de diferentes estados seja cada vez mais fortalecida”, concluiu.
O painel foi moderado pelo secretário de Tecnologia da Informação Nicolás Roitfeld e pelo juiz de Instrução da província de Misiones Martín Brites.
Participaram do evento o procurador-geral de Misiones, Carlos Giménez, o governador, Hugo Passalacqua, a presidente do Tribunal Superior de Justiça, Rosanna Pía Venchiarutti, o presidente do Conselho de Procuradores, Jorge Canteros, o presidente do Conselho Federal de Política Criminal, Jorge Luis Miquelarena, e o procurador-geral da Nação, Eduardo Casal.
Sobre a conferência
A 37ª Conferência Nacional e Internacional dos Ministérios Públicos reuniu procuradores, promotores, juízes e especialistas da Argentina e de outros países. Organizado pelos conselhos de procuradores da Argentina e sediado pelo Ministério Público de Misiones, o evento de dois dias (17 e 18/9) teve como objetivo debater temas estratégicos para o Sistema de Justiça, desde a autonomia institucional até o uso da inteligência artificial, fortalecendo a cooperação entre as diferentes jurisdições.
