All Her Fault“, minissérie original do Peacock, tornou-se um dos títulos mais comentados do streaming após garantir a Sarah Snook o Critics Choice Awards de Melhor Atriz em Minissérie, prêmio entregue na noite do último domingo, 4. No Brasil, a produção está disponível no catálogo do Prime Video, sem custo adicional para assinantes.

A trama parte de um cenário simples e assustadoramente plausível. Marissa Irvine (Snook) vai buscar o filho Milo em um encontro de brincadeiras, daqueles combinados entre pais em bairros tranquilos. Ao chegar ao endereço indicado, porém, a porta é aberta por uma mulher desconhecida, que afirma nunca ter ouvido falar da criança. O pesadelo estava criado: Milo havia desaparecido sem deixar qualquer vestígio.

À medida que a investigação avança, “All Her Fault” deixa claro que o sumiço de Milo dificilmente é um evento aleatório. Na verdade, quase todos ao redor de Marissa escondem algo e a narrativa explora até onde as pessoas estão dispostas a ir para proteger suas mentiras.

Além de Sarah Snook, o elenco reúne nomes como Dakota Fanning, que interpreta Jenny Kaminski, uma mãe que acaba se aproximando de Marissa de forma inesperada, e Sophia Lillis , que surge como Carrie Finch, a jovem babá que rapidamente se torna a principal suspeita do desaparecimento. Já Jake Lacy vive Peter, o marido de Marissa, cuja postura levanta questionamentos ao longo da investigação. Completam o elenco Jay Ellis e Abby Elliott, entre outros, compondo uma rede de relações que se torna cada vez mais sufocante.

Adaptada do romance homônimo de Andrea Mara, publicado em 2021, a série tem roteiro de Megan Gallagher (Wolf) e preserva o tom psicológico do livro. De acordo com o portal People, embora o suspense seja intenso, “All Her Fault” também se debruça sobre temas como maternidade, confiança e culpa.

Kartiah Vergara como Ana, Duke McCloud como Milo e Sophia Lillis como Carrie em ‘All Her Fault’ – Crédito: Divulgação/Sarah Enticknap/PEACOCK

Apesar da sensação de realismo, a história não é baseada em um caso real específico. Ainda assim, Andrea Mara já revelou que a ideia surgiu de uma experiência pessoal. Em abril de 2015, ao buscar a filha em um encontro de brincadeiras, a autora se viu parada diante de uma casa vazia. Como ninguém atendeu à porta, a irlandesa se viu tomada pelo pânico. A situação, porém, foi rapidamente esclarecida por um vizinho, que explicou que a família havia se mudado semanas antes e que Mara apenas havia se dirigido ao endereço antigo. Tudo se resolveu em poucos minutos — bem mais rápido do que para Marissa, na ficção.

Esse breve episódio, no entanto, foi suficiente para despertar reflexões que mais tarde dariam origem ao romance. Em um ensaio publicado em 2021 no The Irish Independent, Mara contou que chegou a imaginar teorias cada vez mais sombrias enquanto esperava por uma resposta à porta. O ocorrido a levou a pensar sobre o quanto os pais confiam em outras pessoas quando entregam seus filhos à escola, à creche, a festas ou encontros de brincadeiras — e como se constrói, ou se perde, a sensação de segurança.

Na série, após o desaparecimento de Milo, Marissa e Peter iniciam uma busca frenética, acompanhados pela polícia. Carrie Finch, a babá de Jenny, rapidamente se torna o foco das suspeitas.

Em entrevistas recentes, Andrea Mara comentou que muitos de seus romances partem de situações reais que se resolvem rapidamente, mas ganham densidade na ficção por meio da pergunta “e se?”.

E se meu filho foi sequestrado em um encontro de brincadeiras, e se meu filho desapareceu no metrô, e se realmente houver alguém morando no sótão?” disse ela, fazendo referência a algumas das histórias presentes em suas outras obras.

No início de novembro, após assistir à estreia da série, Mara publicou fotos no Instagram e aproveitou para refletir sobre os elementos que permeiam a história.

O livro é sobre uma criança desaparecida, sim, mas também é muito sobre amizade feminina, e isso foi levado para a série de TV”, escreveu na legenda do carrossel.

Ela completou afirmando que sua compreensão sobre amizade feminina nasce das relações que construiu ao longo da vida: “Eu sei muito sobre amizade feminina e mulheres apoiando mulheres por causa das pessoas maravilhosas que tenho a sorte de conhecer na vida real. Então, mesmo que o elemento do sequestro na inspiração real seja fictício, o elemento da amizade é absolutamente verdadeiro.”

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.

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