Por que a Nigéria não está na Copa novamente? As Águias foram a seleção africana mais forte nas décadas de 90 e do início dos anos 2000. Foram para 6 em 7 Copas entre 1994 e 2018, ganharam o ouro olímpico em Atlanta-96, ficaram nas três primeiras colocações em 14 de 18 edições da Copa Africana entre 1976 e 2013, com direito a três títulos. É o país mais populoso da África, com mais de 220 milhões de habitantes, tem cultura de futebol e diversos jogadores na Premier League inglesa.

Portanto, repito a pergunta. Por que ficou fora da Copa? A resposta, no fim, é que as coisas deram errado em um cenário em que não havia margem para tantos erros.

Depois de ficar fora do Mundial do Qatar por um gol sofrido em casa no mata-mata contra Gana, a Nigéria estava, um ano depois, na final da Copa Africana das Nações, quando perdeu a chance do tetra para a Costa do Marfim. Mas o técnico português José Peseiro não renovou contrato, o lendário Finidi George não encaixou com o elenco, que é cheio de caras temperamentais, como Osimhen. Bem quando as eliminatórias africanas foram ampliadas e o continente ganhou nove vagas na Copa do Mundo (em vez de cinco), a Nigéria caiu em um grupo mais difícil, que tinha a África do Sul. Perdeu terreno logo de cara e ficou impossível buscar a partir da chegada de Éric Chelle.

Chélle é um cara que nasceu na Costa do Marfim, cresceu na França, jogou bola por lá e defendeu a seleção de Mali, o país da mãe. Foi o técnico que levou Mali às quartas da última Copa Africana, dois anos atrás, e chamado pela Nigéria em janeiro de 2025 para tentar salvar a vaga na Copa. Tem um estilo boleiro, é jovem e a campanha de recuperação foi boa – a Nigéria chegou milagrosamente à repescagem, mas caiu para a República Democrática do Congo nos pênaltis.

A Nigéria tentou um tapetão, alegando que a lei congolesa proíbe dupla nacionalidade e vários jogadores têm também passaporte europeu, o que caracterizaria fraude. Mas a Fifa alegou que não havia provas suficientes – em outras palavras, escolheu não dar muita bola para o apelo nigeriano. Os congoleses disputarão a repescagem mundial em março, buscando uma vaga na Copa que não vêm desde 1974, quando o país se chamava Zaire.

No fim, a Nigéria não vai para uma Copa em que poderia fazer estrago, pois tem talento para isso. E o time disputa a Copa Africana com a missão de se reivindicar, mostrar que é, sim, uma das melhores seleções do continente e que a eliminatória foi um gigantesco acidente de percurso.



Source link